Borges, o renovador

por Paulo Neto | 2015.07.11 - 22:48

 

 

António Borges candidatou-se à Federação do PS Viseu para renovar e para aproximar.

No conceito de renovar incluiria a ideia de colocar as suas tropas nos lugares elegíveis para deputado. No aproximar, baseava-se em mais um cliché bacoco daqueles que se compram à grosa na loja dos 300 e que serviu para afastar ainda mais as hostes socialistas distritais.

Borges nada trouxe de positivo até ao presente. Borges mais parece simbolizar a negatividade interesseira e caciquista dos políticos do tempo da Maria da Fonte.

Idealizou uma lista que seria encabeçada por Edite Estrela, seguida por ele próprio, Miguel Ginestal, Marisabel Moutela e Rui Cruz.

António Costa, perante tal embalagem de seguristas, impôs-lhe Maria Leitão Marques, que nada tem a ver com Viseu, que foi a “Senhora Simplex” e ex-secretária de Estado de qualquer-coisa — além de mulher de Vital Moreira — deixando-lhe o 2º lugar da lista (noblesse oblige… percebendo-se pois o seu afã em ser líder distrital, como única forma de se auto-impôr)…

Costa, ao fazê-lo destratou Viseu e destratou Borges. Passou-lhe um inequívoco atestado de incompetência, encabeçando a lista com uma pessoa que nunca, nem de perto nem de longe, teve o que quer que fosse a ver com Viseu. Pela primeira vez em muitas décadas.

Borges julga-se a capitanear o distrito como capitaneou o seu concelho. Aos seus tiques de empáfia acrescenta os de permeabilidade ao revanchismo político, acrítico, imérito, sem futuro.

Este homem é o presidente da Federação mais fracturante e decepcionante que em 40 anos o PS Viseu teve.

Estranho é que os seus correligionários, ainda à espera de alguma migalha, lhe concedam luz verde para mais desmandos.

Bizarro é haver gente nova — a renovação — a apoiá-lo. Talvez ainda estejam à espera da vitória nacional e das nomeações a distribuir, do bodo aos pobres.

Alarmante é não haver a capacidade de lhe darem ad perpetuam um ticket para Gaia.

Com este desconcerto regozija-se, e bem, o PSD/CS… onde os políticos são “profissionais”.

(foto DR)