Big Mac desautoriza distrital do PSD

por Paulo Neto | 2015.07.31 - 10:26

 

Mota Faria, António Jesus e Francisco Lopes não conseguiram, após porfiados esforços e muitas reuniões, impor a vontade do distrito ao “big boss”, Marco António Costa, que teve a responsabilidade delegada por PPC de afinar, recusar e aceitar as listas propostas pelas distritais do país.

Mac, apesar das recentes polémicas em que se viu envolvido, e apesar de estar a ser investigado (estará?), foi guindado por PPC a conselheiro-mor e decisor maior das listas de candidatos a deputados por todos os círculos eleitorais.

No caso de Viseu e depois das auto-recusas de encabeçarem lista, como foi o caso do mangualdense Sérgio Monteiro, um secretário de Estado que cumpriu sublimemente o seu papel e que por isso decerto obterá o melhor retorno profissional no futuro, acertou-se num jovem do Caramulo, também secretário de Estado, que terá tido o forte beneplácito de Marques Mendes, Joaquim Coimbra e etc.

E se a proposta local configurava nos três primeiros lugares, Leitão Amaro, Pedro Alves, Isaura Pedro (Nelas) e/ou Eugénia Duarte (Sátão), Mac impõe um nome de Lisboa (?) para o eventual lugar destas, Inês Domingos, uma professora de economia da universidade Católica. Vá-se lá saber porquê… Alguém a conhece em Viseu? Mac conhece. E é quanto basta.

Finalmente, em 4º lugar sempre aparece Hélder Amaral (coligação oblige), remetendo-se para 5º lugar a ex-presidente da câmara de Nelas e vindo em 6º lugar o engenheiro Costa Lima, ex-presidente da câmara de S. João da Pesqueira, nome primicialmente proposto por Carlos Silva Santiago, o autarca de Sernancelhe.

Eugénia Duarte, advogada e presidente da AM de Sátão é assim injustamente remetida para 7ª do rang, surgindo depois o professor de Castro Daire, António Luís Ferreira e finalmente, para engulho de Francisco Lopes, a sua ex-vereadora do CDS, a demissionária Marina Vale.

Esta imposição de Mac e desautorização de Faria acabou por “deteriorar” — é o melhor eufemismo que me ocorre — a inicial lista apresentada, mais coesa e coerente.

João Carlos Figueiredo Antunes, de Tondela, ficou de fora. É uma ausência que se lamenta e um bom deputado que se perde.

Ainda assim, esta lista, pouco abonatória para o CDS-PP, o parceiro da coligação que e pelos vistos começa e acaba em Hélder Amaral, é qualitativamente superior à lista congeminado pela bi-cefalia distrital do PS, Borges/Ginestal, e se a nível nacional é ainda previsível a derrota das hostes laranja, a nível distrital, apesar das fragilidades impostas pelo Big Mac, a “tralha rosa” tem augurado um futuro sombrio.

Pedro Alves, o verdadeiro líder da distrital viseense, que deveria assumir frontal e formalmente a sua direcção, fez o bom trabalho possível ao seu alcance.

Mota Faria e Francisco Lopes, que têm vindo a somar derrotas, atingiram o limite do seu prazo de validade, com as “políticas do cochicho” e o péssimo exemplo da ruinosa gestão autárquica de Lamego.

Deste trio distrital salva-se o actual presidente da autarquia tondelense, António Jesus, também nº 3 da CIM Viseu Dão Lafões, pela sua ponderação e assisada postura.

Afinal, Viseu pesa muito pouco a nível nacional. Se a primeira prova foi dada por Costa ao aceitar uma lista medíocre, maioritariamente segurista, cozinhada pela dupla Ginestal-Borges, a segunda foi-o agora confirmada pelo Big Mac ao dizer “não” à distrital social-democrata.

Maus líderes nacionais ou “delgadinhos” lugares-tenentes locais? Provavelmente 50% de cada…

E siga a roda que a festa mal começou e o elenco não se cinge a Regeneradores versus Progressistas.