Ave de mau agoiro

As novas gerações encarnam com espantosa eficácia o conceito de globe trotters e mais facilmente fazem o check in em Amesterdão e o check out em Istambul do que descem a A1, de carro, para ir ver um espectáculo ao Altice Arena ou passar o week end para a descobrir o Chiado.

  • 17:21 | Quinta-feira, 04 de Novembro de 2021
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O mundo há muito deixou de ser uma manta de retalhos de países isolados e estanques. As descobertas do “cinquecento” deram o primeiro e decisivo passo para a globalização.

Hoje, deixámos de ser cidadãos do país A ou B. Somos cidadãos do mundo. Tudo se presentifica ao alcance de um voo low cost, de um desejo de passar o fim de semana em Paris, Roma, Berlim, Londres, mais do que ir ver o mar à Costa Nova ou a Vouzela comer pastéis.

As novas gerações encarnam com espantosa eficácia o conceito de globe trotters e mais facilmente fazem o check in em Amesterdão e o check out em Istambul do que descem a A1, de carro, para ir ver um espectáculo ao Altice Arena ou passar o week end a descobrir o Chiado.


Este imenso e libertário potencial de movimento e de descoberta está actualmente profundamente enraizado no ADN de milhões de jovens. E ainda bem que assim é.

Contudo, são eles talvez os que mais se ressentem das impostas regras de limitação de viagens.

Hoje mesmo, com as declarações de um dirigente da OMS, ficámos a saber que em matéria de Covid19 e suas plurais estirpes, nada está debelado. O monstro hibernou temporariamente e apenas pareceu ter cedido à vacinação e demais medidas profilácticas.

Porém, as más novas alertam-nos para a previsibilidade de 5 milhões de vítimas da pandemia, com particular incidência a partir de janeiro do próximo ano.

É fácil ir ao Brasil, à Itália, à Turquia gozar uma aprazível semana. Todavia, os riscos comportados, perante este agoirento cenário, e neste incessante vai-e-vém, “malgré tout” são suficientes para o alastrar, recorrente, insaciável e omnipresente desta maldita “peste”.

 

 

Naturalmente que está é tão somente uma das muitas formas do “acontecer”. Há uma panóplia infinda de adjuvantes à propagação do vírus.

Esta maleita é camaleónica e, quando parece vencida, reaparece com nova forma e inesperada acção.

Os quase dois anos de “reclusão” foram uma tortura e opressiva prisão para todos nós e principalmente para os mais jovens. Prisão da qual nos escapámos, lembrando que milhões foram bafejados pelo infortúnio e tendo sempre presente que a desgraça chega célere a um lar feliz.

Todo o cuidado ainda é pouco…

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