As preocupações sociais do provedor da Misericórdia de Viseu

por Paulo Neto | 2016.11.11 - 09:13

 

 

Adelino Costa, secretário da câmara municipal e provedor da Misericórdia local, fez um brilharete quando o presidente da República veio a Viseu inaugurar o centro da IBM.

De uma cajadada matou três coelhos. É preciso arte, pontaria e desteza.

Agraciou Marcelo Rebelo de Sousa com o título e estatuto de  “Irmão Honorário da Misericórdia de Viseu” e, sem perder o fôlego, com fraternidade, à-vontade, rara elegância e sentido de oportunidade apuradíssimo, logo lhe disse que era um grande incómodo financeiro, essa bizarria do aumento do salário mínimo nacional.

Segundo o provedor, o dito aumento “pode colocar em causa o trabalho desenvolvido pelas associações que prestam apoio social”.

Esta notável preocupação sectorial, também de cariz muito social, convenhamos, vem subliminarmente sugerir que, das duas uma: ou o presidente da República – na sua isenta qualidade de “irmão honorário” –  propõe uma excepção para os trabalhadores desta instituição e de similares, ou, porque não? arranja um subsídio para colmatar a diferença, que passará a ser pago por todos os contribuintes.

Ainda há eventual e provavelmente outra remota e possível hipótese: não há aumentos para os funcionários da casa, ficando, desse modo, ao abrigo de uma lei diferenciada e com bênção Constitucional.

Porém, o provedor foi mais longe e mostrou ainda outra sua preocupação ao “irmão”: é um incómodo estas instituições pagarem IMI sobre o património imobiliário que ao longo dos séculos lhes foi sendo deixado de herança para refrigério dos carenciados e salvação das almas. Por isso, melhor fora, também a isenção dessa chatice.

Pensamos que aqui já não falaria exclusivamente pela sua “casa”, mas, solidariamente, por todas as instituições semelhantes existentes em Portugal.

Já agora, uma dúvida: quanto pagará um idoso na “Residência Rainha Dona Leonor”, onde decorreu o acto solene? O salário mínimo nacional?