“As forças dos justos serão exaltadas” (Lucas)

por Paulo Neto | 2014.01.30 - 00:06

 

Exaltar é entusiasmar. Exaltadas andam as pessoas com as praxes académicas (sem saberem da missa a metade…); com o referendo sobre a co-adopção (tal batota mal feita pela rapaziada do PSD…); com o é Rui ou é Marcelo (areia para os olhos à distância…); com as suscitadas confusões do novo código da estrada (nabices de legisladores ignorantes…); com os gases de 90 vacas que provocaram explosão em estábulo alemão (até as vacas são poderosas…).

Esta exaltação que é sempre murmurante para as abulias sanguíneas, invisibiliza as tropelias de um governo nefasto tomadas contra quase 11 milhões de portugueses (sim, há 400 mil que prosperaram).

A exaltação dos portugueses é por causas menores e como há meio século, pelo Futebol, pelo Fado, por Fátima – os 3 efes do Estado Novo.

A exaltação dos portugueses é fragmentada, distorcida e distanciada – com alguma perfídia se acrescenta – daquele que deveria ser o verdadeiro alvo do “entusiasmo” ou “erguer ao alto”. Do erguer ao alto o repúdio, a contestação, a indignação e a ira fermentada em tanta malfeitoria.

A exaltação deveria ser pela corrupção, deveria ser, não pelo aumento do número dos ricos mas pela desmesura do número dos pobres. A exaltação deveria ser pela instrumentalização da pessoa humana. A exaltação deveria surgir pela quantidade brutal de privatizações de sectores estratégicos da nossa economia para servir em bandejas aos Goldman-Sachs…

Somos um povo vaamente exaltado, capaz das mais iradas fúrias se o clube de futebol perde um jogo, se o vinho da taberna do Ti João estiver avinagrado, capaz de rebentar em lágrimas se vir Francisco, o Papa a lavar os pés de um leproso ou Ronaldo a calçar botas de ouro.

Os políticos – ronhentos e manhosos – sabem-no à exaustão. Por isso, pagam a claques (de todos os tipos) para desviarem as atenções dos seus actos e as recentrarem no ventrículo direito de um povo de lamechas não redimidos.

Até em Viseu, já aprenderam a lição…

António Horta Osório, um top 10 da banca europeia, profere em entrevista ao Expresso:

” Somos um país de brandos costumes e de impunidades (…) Os bancos foram apoiados fortemente pelos contribuintes e agora têm a obrigação de apoiar os contribuintes que fizeram sacrifícios para os apoiar.” E se ele tiver razão?

Agustina Bessa-Luís, in “Dicionário Imperfeito” (Guim Ed.) escreve ” … a crise é uma forma de organização, de modelo de uma época”. E se ela tiver razão?