As coincidências de Passos Coelho que é o que escolheu ser

por Paulo Neto | 2015.05.07 - 14:09

 

Há coincidências boas e más. Até há quem acredite que a vida é regida por um destino. O Fatum, que deu também o fado das vielas. Estar na curva onde o camião se despista, passar debaixo do telhado de onde cai a telha, ser engolido pela única onda grande da tarde, à beira mar, … são más coincidências, aceitemos.

Coincidir, em latim medieval até queria dizer “cair junto”, mas hoje…

Há boas coincidências, por exemplo, tirar o carro do estacionamento um minuto antes da tília lhe cair em cima, sair de um café cinco minutos antes da garrafa de gás explodir, sonhar  com o nº premiado da lotaria e comprar a cautela.

Há quem acredite que as coincidências são meros jogos de acaso e de necessidade. Até há quem o escreva e defenda em tese universitária. Há vidas sinuosas onde as coincidências acontecem a par e esmo, outras onde nunca nada coincide, como um “lego” ou um “puzzle” incompleto.

Passos Coelho é um escritor com veia e com obra ao prelo dada. Deve ser de família, pois há outro com o mesmo nome A. Passos Coelho, pai, tio ou primo, com queda para as letras. Coincidentemente lançou um livro no Caramulo e por coincidência fui convidado para estar presente. Mas a vida, nas suas coincidências não o permitiu, pois na agenda que nunca tive, havia uma reunião em Singapura, Sacavém ou Saigão, sei lá eu… elas são tantas.

Na semana passada um “fait divers” agitou a intelligentsia nacional: Passos Coelho, o PM, foi a Aguiar da Beira inaugurar uma queijaria. Por coincidência, o berço de Manuel Joaquim Dias Loureiro. Que e sempre ausente no estrangeiro, por coincidência, nesse dia esteve presente à cerimónia. Coincidentemente, quando Coelho viu Loureiro, um sol o iluminou e começou a gabá-lo muito. Por coincidência os jornais todos despertaram para a “coisa” e ainda nessa vaga de coincidências, o MP fez declarações sobre investigações acerca da obscura relação Dias Loureiro/BPN.

Coincidentemente, Coelho lançou mais uma biografia intitulada “Somos o que escolhemos ser”. A dar razão ao Ortega Y Gasset que já dizia que o “homem é as suas circunstâncias” e a negar a teoria fatalista da existência humana supra enunciada.

livro aletheia

Na capa, Coelho ajeita a gravata e prepara-se para a “luta” quotidiana, não pelo pão nosso de cada dia, mas para o tirar da mesa de milhões de portugueses. Por coincidência o livro foi editado pela Alêtheya. No seu site e ao esclarecimento “Quem Somos”, assim reza parafraseando Sophia de Mello B. Anderson:

«(…) aquilo a que os gregos chamam alêtheia, a desocultação, o descobrimento. Aquele olhar que às vezes está pintado à proa dos barcos.»

Uma coincidência, esta desocultação.

Coincidentemente a Alêtheia é dirigida por Zita Seabra. Que saiu do PCP para o PSD por suposta mão convidativa de Dias Loureiro. Que por coincidência é um dos proprietários da editora.

No dito site aparecem interessantes referências à obra em questão, tais como e cita-se, com respeito e vénia:

 

Pedro Passos Coelho é uma das grandes personalidades políticas portuguesas. Nos poucos anos desde que está à frente do Governo, mudou o país e pôs fim a uma década perdida da vida nacional. Quem é Pedro Passos Coelho? Esta biografia revela surpreendentemente a vida do homem e do político. Baseada num amplo trabalho de pesquisa, investigação e recolha de diversas opiniões e testemunhos, Sofia Aureliano escreveu uma biografia única que nos aproxima de Pedro Passos Coelho.

 

«A nossa vida nunca foi fácil, tivemos sempre de trabalhar muito, porque as coisas que temos foram compradas a custo. Não temos nada que nos fosse dado de mão beijada. Tudo o que temos é nosso, mas foi conquistado com muita luta. É também por isso que somos tão unidos.»

Laura Ferreira

 

«Acredito que Pedro Passos Coelho tem um projeto social -democrata para o país, quer por todo o percurso efetuado dentro do PSD – não é um arrivista –, quer pelo que julgo ser o seu modo de pensar, pela maneira como vive e pela sua seriedade.»

Francisco Pinto Balsemão

 

«O Pedro Passos Coelho é amigo do seu amigo. Quando há necessidade de ajudar alguém, faz o que estiver ao seu alcance. Não é por ser primeiro-ministro que não está presente. Continua a ter o mesmo número de telefone, atende as mesmas pessoas que ligavam há vinte anos. E não é porque tenha interesse, é porque se preocupa e quer ajudar.»

Luís Monteiro

 

«Ele incomoda-se verdadeiramente e sofre muito com os outros. Nisso, saiu ao pai, mas eu sou mais lamechas do que ele, porque ele encobre.»

António Passos Coelho

 

«Entristece-me que as pessoas falem dele sem conhecerem o seu verdadeiro caráter. Ele é um homem muito sério, extremamente carinhoso, um amigo verdadeiro e um bom vizinho.»

Secundino Cardoso (restaurante «O Comilão»)

 

Por coincidência, o blogue “Da Literatura”, de Eduardo Pitta refere-se ao assunto e até dele pede esclarecimento a Zita Seabra, cuja resposta transcrevemos com a devida vénia a E.P.:

“Esclarecimento de Zita Seabra.

Aqui fica o essencial da mensagem que a editora da Alêtheia me enviou, a quem agradeço a anuência da reprodução:”

«[…] A Alêtheia nunca teve nada a ver com o BPN e muito menos com um offshore do BPN. Temos como um dos sócios fundadores o Dr. Manuel Dias Loureiro, que entrou como todos os outros 6 sócios com uma quota de 25.000 euros. Offshore? Dizem por aí! Será que se mudou para um offshore o nosso balcão do Chiado da Caixa Geral de Depósitos?»

Ler aqui…

http://daliteratura.blogspot.pt/2010/02/rumor-facto.html

 

E pronto, depois disto que mais há a acrescentar? “Somos o que escolhemos ser”? Pela parte que me toca, desde muito jovem e quando me perguntavam o que eu queria ser quando fosse grande, respondia, por esta ordem:

Cocheiro, bombeiro ou bispo…

Não adreguei a alcançar nenhum destes “métiers”. Coincidentemente não sou o que escolhi ser… É o Fado!

 

(fotos com DR e vénia aos seus autores)