As “carraças bancárias” e os gestores-maravilha

Ramalho, no Novo Banco, fechou o primeiro trimestre de 2020 com 180 milhões de prejuízo, mas logo encontrou para tal justificação: "vimos as nossas imparidades aumentar por causa da covid-19, que também foi uma crise inesperada para nós".

  • 10:23 | Terça-feira, 16 de Junho de 2020
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Quando uma carraça se ferra em orelha de canídeo torna-se difícil de desalojar. Daí à febre botonosa é um ai.

Certos bancos parecem ser como as carraças. Ferram-se no corpo dos portugueses e aí se sentindo bem e à vontade, não há quem as tire. Ou quem as queira tirar…

Há pouco mais de um mês a polémica com o velho BES, Novo Banco, envolveu Mário Centeno, António Costa, Catarina Martins et all. Foi uma enxurrada de lama que daí brotou e que muito contribuiu para desacreditar o ministro das Finanças.


Impávido ao bruáá ficou o CEO do dito, António Ramalho, de quem já se teceram hinos e loas como gestor milagroso. Milagroso para quem? Provavelmente para a Lone Star, o fundo norte americano propriedade de John Grayken, o multimilionário que vive da aquisição de passivos, negócio pelos vistos bem pródigo, a julgar pela imensa fortuna arrecadada.

Recordemos que António Ramalho, gestor-maravilha, foi o controverso ex-presidente da CP, lugar que ocupou a convite de outro gestor-maravilha, António Mexia, então ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações nomeado por Santana Lopes, no XVI Governo Constitucional.

Ramalho, no Novo Banco, fechou o primeiro trimestre de 2020 com 180 milhões de prejuízo, mas logo encontrou para tal justificação: “vimos as nossas imparidades aumentar por causa da covid-19, que também foi uma crise inesperada para nós”.

Claro que ninguém ignora ter a pandemia costas largas para todos os sectores económicos. Assim sendo, porque não haveria de as ter também para a banca?

E mais justifica Ramalho a necessidade de mais “injecções”, agora por ele designadas de “necessidades de capital ligeiramente suplementares.” Uma mera questão de semântica…

“No início do ano, fazemos sempre uma previsão e entregamo-la ao Fundo de Resolução. A diferença deste ano é que entre a previsão que fizemos antes da covid e a previsão que faremos depois da covid – que aliás já é do conhecimento da comissão de acompanhamento –, esta será, naturalmente, diferente.”

Quanto custará essa “diferença”?

“Mas acontece basicamente que houve uma deterioração da situação económica e é previsível que essa deterioração, com o cenário que temos hoje, nos vá levar a necessidades de capital ligeiramente suplementares em relação àquelas que existiam”

Este banco já pediu 3 mil milhões ao Fundo de Resolução. Agora precisa de mais uma mão cheia de milhões. Depois de os receber, talvez precise de mais uns milhões… E assim sucessivamente.

Esta parece ser a “política da sanguessuga”, anelídeo com ventosas para melhor se fixar e viver do sangue sugado a outros animais.

Até quando? Se era para assim ser porque não foi o Novo Banco privatizado ab initio?

Não nos esqueçamos de outro activo gestor-maravilha neste processo de venda, o mangualdense Sérgio Monteiro, convidado pelo Banco de Portugal para conduzir a venda do Novo Banco, o ex -secretário de Estado do PàF de Passos Coelho e Portas, que foi quem “vendeu” os CTT, a ANA- Aeroportos, a CP Carga, a TAP, a EMEF, os STCP, etc.

Afinal, como se tem vindo a constatar, vendeu-se tudo e mais alguma coisa. Para quê? Para continuar a pagar. A TAP é disso mais um esclarecedor exemplo, também ela, cheiinha de gestores-maravilha…

 

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