Aos poucos, anéis, dedos e ossos…

por Paulo Neto | 2014.11.13 - 14:18

 

 

 

Isabel dos Santos, mulher com ar discreto, vai comprando Portugal inteiro. Ou ela, ou os brasileiros, ou os franceses, ou os chineses, ou…

Tudo o que ainda tiver valor, o governo vende. Crê-se eleito para escravizar os portugueses e vender o país. Ah… e fazer todos os dias mais milionários que aumentam ao ritmo inversamente proporcional do nosso empobrecimento.

Cavaco estranha a gestão ruinosa — para quem? — daqueles que há meses fez comendadores, no Dia de Camões? Nós estranhamos  (ou não) que não se apurem as consequências e graus de responsabilidade das gestões danosas de Bava e Granadeiro.

Cavaco aconselhava o BES aos portugueses, tranquilizando-os quanto à “segurança” daquela instituição. Agora, lentamente, num porfiado calvário, mal começamos a perceptibilizar as dimensões desta fraudolenta catástrofe.

Cavaco aproxima-se de um final de mandato que ficará de má memória para a História deste Portugal muito contemporâneo. Parece tomado de uma crescente decrepitude que o transforma num zoombie digno de lástima. Tão digno de lástima como todos nós.

O Governo prepara-se, depois de Mota Soares ter visto aprovada a “requalificação” de quase 700 trabalhadores da SS — eufemismo de lay off — para mandar para a mobilidade mais 12 mil. Que o mesmo é dizer, vão para algures, com um corte salarial de 40% no primeiro ano, 60% no segundo, 80% no terceiro.

No quarto ano, provavelmente, novos-pobres de um Portugal indigente de novos-ricos, pegarão numa arma e irão assaltar (bancos não, que para esses é preciso tirar ticket) gasolineiras ou supermercados.

A ministra da Justiça, a gloriosa Paula da Cruz, claudicante, vai fazendo sua penosa via-sacra. Arranjou dois funcionários do ministério como bodes expiatórios. Acusou-os de fraude informática. Caluniou-os. Foram julgados e declarados inocentes pelo tribunal. E agora, Paula? Num gesto de derradeira lucidez, devia olhar-se ao espelho, fazer o seu auto-juízo e ir repousar meia dúzia de anos para uma ilha soalheira como Creta. Corre o risco de se tornar uma obsessiva compulsiva irreversível…

Ponto de situação… Coelho consegue. Portugal está alienado/esboroado; a máquina fiscal é um buldozer a esbulhar as últimas migalhas, a dívida galopa à solta como um poldro num prado primaveril, milhões de portugueses estão no limiar da indigência, há milhares de milionários no seu recém-atingido estatuto, a louvar um governo que lhes deu os meios e o euromilhões.

Ainda vamos ter 11 meses deste inexorável pesadelo perante a hibernação complacente (ou cúmplice) de um presidente da República apático que, pensamos nós, cada dia em que acorda se deve perguntar ao espelho: quem sou eu? que faço aqui?