AH diz… 400 e é para já!

por Paulo Neto | 2014.12.13 - 22:41

 

 

Anuncia e bem a criação de 400 postos de trabalho em Viseu, que deles precisa como de pão para a boca, para fazer face à sua elevada taxa de desemprego. Rejubilamos com o facto. Depreendemos pelo artigo infra e declarações pelo autarca feitas que incentivou a Casa de Saúde, o hospital privado (Grupo Mello?), a Habidecor… Ajudou a abrir 20 novas lojas no centro histórico de Viseu… Revitalizou a GESTIN  (?) e etc.

Óptimas notícias. Excelente forma de encerrar 2014 antes do habitual e luzido festival pirotécnico do final do ano.

Porém, no céu azul uma mera nuvem a toldar… com ele, empregos de verdade, ao que saibamos… criou o do dr. Nuno, o do dr. Jorge e o daquela menina que está na Expovis, como é que ela se chama? Um momento que já me lembro… Ah, sim, dra. Bárbara, como a Nossa Senhora das Trovoadas (que não tem título académico, mas é Santa).

Agora, não lhe tiremos os louros na arte especializadíssima, ilusionista, prestidigitadora e incontornável de ainda ter o ovo no __ da galinha e já estar com ele a fazer omoletes. Anuncia e… decerto concretiza. Não temos dúvidas. E contudo, tirando as crises de ansiedade que se tratam com um vulgar ansiolítico, AH não consegue jamais calar a expressiva emoção que o avassala por cada novo emprego que diz que irá criar, por cada nova obra que diz que irá concretizar. E este é um diluído e magro reparo no oceano de tanto “empreendedorismo”.

Senhores industriais, senhores comerciantes, senhor dr. Cota, perdão, senhor dr. Marta, senhor Mirandez, perdão, senhor dr. Cota… avisem os Vossos associados. AH a estimular é Viseu a criar.

Não sei porquê mas veio-me à memória, era ainda ganapo, a chegada dos saltimbancos à Vila de Igreja…

Mandavam à frente um corneteiro a anunciar o espectáculo, muito desafinado mas tão barulhento a soprar na coisa que toda a gente vinha às janelas e às portas dos comércios. E então, quando via público suficiente, poisava o instrumento, dava três saltos mortais à rectaguarda e punha-se aos gritos:

“Senhoras e Senhores, muita atenção… eis chegada a Trupe Mundialmente Internacional do Felizardo, da Bela Tininha, do Bernardo e seu Feroz Leopardo …!”

E à noite, no Largo da Feira, onde acorríamos curiosos, víamos que o corneteiro era o Felizardo e o Bernardo, a Tininha era uma velha desdentada gaiteira e o Leopardo era um imenso e manso gato amarelo com manchas negras pintadas…

Mas dávamos sempre os 10 tostões, condoídos e da praxe, porque o peditório tinha um constrangedor carácter e imensa imaginação.

 

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