A plataforma de comunicação social, www.ruadireita.pt faz 13 anos de existência.
Criada no já distante ano de 2013, numa altura em que o digital ainda andava arredio da difusão informativa e de opinião, fomos uma espécie de pioneiros no trilhar desta via que então ainda gatinhava.
Os custos da edição em papel tornaram-se quase insuportáveis e, se bem que lhe reconheçamos todo o mérito, não se compaginavam, de forma alguma, com os escassos recursos materiais de que dispunhamos e de que dispomos.
Assim, juntamente com o Pedro Morgado, o homem da programação, a centenas de quilómetros de distância física, encetámos este projecto. Sim, somos só dois, se não contarmos com os nossos estimados colaboradores que porfiam em ter aqui o seu espaço de clarividente e graciosa opinião.
Nunca cobrámos um cêntimo a ninguém, nunca vendemos publicidade, sendo caso para dizer que pagamos para informar. Sim, porque o digital também tem custos, desde o servidor aos programas, passando pelas incontáveis horas que lhe dedicamos…
Desde 2013 que editamos mais de um milhar de textos por ano. Se fizermos um processo de pesquisa e um exercício de “arqueologia” deparamo-nos com um arquivo de muitos milhares de publicações.
Naturalmente que a falta de recursos materiais gera uma carência de recursos humanos. Não há como pagar a jornalistas e repórteres de rua para fazer coberturas, por vezes muito relevantes, mas às quais, por isso, temos acesso limitado. Lamentamos, mas por vezes quase soçobramos às muitas horas diárias que a plataforma – devidamente inscrita na ERC – nos obriga.
Ignoramos até quando a nossa teimosia, persistência e resiliência nos darão ânimo para continuar. Ânimo que só a total liberdade editorial, ainda nos concede.
Quando em 2013 escolhemos o nome Rua Direita para a nossa plataforma, a política e a sociedade portuguesa ainda não haviam ‘desincubado’ a extrema-direita agora emergida. Hoje, por causa de eventuais conotações, não teria sido essa a nossa opção de título. Opção que foi criada em homenagem a todas as ruas Direitas que no nosso país pululam, mormente nos acessos aos antigos núcleos históricos das urbes.
A propósito da Rua Direita de Viseu, onde nos localizamos, há um texto do escritor Aquilino Ribeiro, beirão dos quatro costados, surgido no romance “Andam faunos pelos bosques”, que este ano faz um século, que transcrevemos com imenso gosto…
“Na rua Direita, angustiosa, longa e torta como um escarpado rio, santo Deus, era um nunca acabar de gente: povo que mercava e povo que vendia, moças azougadas, as anquinhas a bater o saricoté, soldados do 14 a assobiar a Mulher Ingrata, figurões de bengala e chapéu de coco, anchos e dominiosos como senhores do mundo, cónegos, vigários, teólogos, estudantes, e os curas, os mil e um curas das paróquias rurais. Todos seguiam o seu caminho, bem-dispostos, com ar optimista de quem dormiu bem e vai almoçar melhor.”
Nós, como os curas, enquanto a vontade existir, vamos subindo e descendo a Rua Direita, bem-dispostos e optimistas.
Obrigado a quem connosco colabora. Bem haja a quem nos lê. Esses são a razão do nosso persistente existir.