A má cara do $$$…

por Paulo Neto | 2014.12.10 - 21:48

 

 

Se o dinheiro é o vil metal, porque será que todos correm atrás dele?

Ouvir aquilo que a paciência permite da comissão parlamentar que investiga o caso BES é o mais próximo que se sente em enjoo, rolando numa montanha russa. Enquanto o queijo dava grossas e saborosas fatias para os ratos todos, refastelados e nédios, coçavam a barriguinha e louvavam ao Espírito Santo. Quando começaram a escassear e, a partir de certa altura já nem casca havia, aqui d’el-rei que eu já sabia, já avisara, já denunciara, já ameaçara, já…

A última pérola ouviu-se à pouco de um anafado empresário que ironizava: “O dr. Ricardo lida mal com a verdade!”. Sem dúvida. E os agamelados, todos que durante décadas se banquetearam naquele faustoso repasto, sofrem todos de amnésia, de azia tardia, apenas quando “La Grande Bouffe” termina? Uma choldra a mostrar que a estátua tem pés de barro, que o sistema em que todos nós sempre cegamente confiámos é frágil e quebradiço, que os pilares e/ou colunas sociais são, afinal, todas ocas, podres e tortas.

 

O dinheiro não tem cheiro nem cor. Diz-se… O primeiro magistrado da Nação, Cavaco Silva recebeu um milhão e meio de euros de donativos para a sua campanha presidencial. É normal. Todos têm os seus apoiantes. É como nas equipas de futebol. Muito desse dinheiro veio do GES. É normal. A banca é um dos pilares da democracia e como tal tem muitas responsabilidades no assisado critério dos sufrágios. Bastante desse dinheiro veio do Zé. Qual Zé? O povo do Bordalo? Não. Esse não o tem e mesmo que o tivesse não o daria para essas causas tão nobres e tão justas. Toma lá o voto e dá-te por feliz… O Zé Guilherme. E quem é o Zé Guilherme? O empreiteiro. O amigo do Isaltino. O amigo do Ricardo — tão amigo que até, num acto de solidariedade moral, lhe deu 12 ou14 milhões de euros (isto até se confunde…). É normal. Um empreiteiro que se preza sabe que o edifício da democracia, mais que nenhum outro, deve ter sólidas e seguras fundações.

 

A Junta de Freguesia de Viseu tem vindo a ser questionada pelos seus pares. Dizem que é arrogante, pouco dialogante, polémica nos seus orçamentos, despesista, virada para algumas bizarras mordomias como as condecorações e os Passats, etc.

A CDU esmerou-se e fez um trabalho exemplar — bastou-lhe ter falhado no ano anterior — e denunciou uma série de situações que reputa de anómalas.

O CDS reiterou e até o PS fez um brilharete…

Estavam quase reunidas todas as condições para ser feito aquilo que o autocrata PSD nunca quis: discutir o orçamento ponto a ponto.

Mas… a um magro centímetro dessa façanha a corda partiu. Para o lado dos desmancha-prazeres da oposição. Pelo denodo e empenhamento do elemento e funcionário do Bloco de Esquerda, que e depois veio justificar-se com um anedótico comentário, no Rua Direita, que tornou a emenda pior que o soneto.

Quem não fica bem no retrato é o partido que representa o qual, doravante, não terá necessidade de se apresentar a eleições. Poupa tempo, energia, dinheiro e… mais, poupa ainda trabalho aos crédulos eleitores.