A informação faz a realidade…

por Paulo Neto | 2020.01.10 - 20:05

Esta é uma das evidências dos tempos actuais, distantes da era em que a realidade fazia a informação.

E não é decerto uma coroa de glória, esta superioridade aparentemente conseguida. De facto, a informação foi tomada de assalto pelos grandes interesses planetários, nacionais e regionais e, ao deixar-se apropriar pelos lóbis instalados, estes, potenciaram-na para que ela surtisse mais amplo efeito na sua função manipuladora dos factos, subservientemente rebaixada a traiçoeira arma branca de uma realidade distorcida e moldada aos interesses dos DDT.

Felizmente e para sair desse círculo fechado e nefasto, surgiram novas formas de comunicação de massas que, quando usadas com rigor e verdade, põem em causa o lugar do pódio tão encarniçadamente conseguido pelos Senhores da CS.

Há um extracto do livro “Espelhos – Uma História Quase Universal”, (Antígona, 2018) do consagrado jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, que cito com vénia:

Nos países democráticos, o dever de objectividade guia os meios de comunicação de massa.

A objectividade consiste em difundir os pontos de vista de cada uma das partes implicadas em situações de conflito.

Nos anos de guerra do Vietnam, os meios de comunicação de massa dos Estados Unidos deram a conhecer à opinião pública a posição do seu governo e também a posição do inimigo.

George Bayley, curioso acerca destes assuntos, mediu o tempo dedicado a ambas as partes nas cadeias televisivas ABC, CBS e NBC entre 1965 e 1970: o ponto de vista da nação invasora ocupou 97% do espaço e o ponto de vista da nação invadida ocupou 3%.

97 contra 3.

Para os invadidos, o dever de sofrerem a guerra; para os invasores, o direito de a contarem.

A informação faz a realidade, e não o contrário.”

Tenha um bom fim de semana.

Paulo Neto