A GESTIN é uma história mal contada…

por Paulo Neto | 2014.02.14 - 11:25

Repare-se em algumas expressões usadas por Almeida Henriques na conferência de imprensa de 13 de Fevereiro, após um aceso debate na reunião do executivo acerca da extinção da GESTIN:

É com gosto que digo…”

“Tenho muito orgulho nesta solução…”

“a Câmara de  Viseu receberá como contrapartida lotes no valor do capital social…”

“Câmara de Viseu liberta-se da sua responsabilidade num passivo…”

“ficando com lotes de terrenos infraestruturados, que pode vender a investidores.”

“De uma forma muito pragmática, resolvemos três problemas…”

Só estas seis frases mostram com clareza a langage de bois tão querida ao autarca viseense.

De seguida, compare-se à realidade apontada 24 horas antes pelo Rua Direita, em artigo de investigação feito pelo Pedro Morgado:

“a edilidade viseense irá reaver do maior acionista, a Parque Invest, apenas três dos 23 lotes existentes no Parque Industrial do Mundão em troca da sua participação na sociedade que, desde a sua constituição em 2001, ronda já um investimento na casa dos 550 mil euros.”

“a situação da Gestin é grave. Os capitais próprios desta empresa têm hoje um valor negativo fruto dos continuados prejuízos e das perdas acumuladas.”

“esta é a única alternativa viável para que a “Cidade-Região” de Almeida Henriques possa cumprir o disposto na Lei n.º 50/2012 de 31 de Agosto: a alienação ou a extinção de empresas ou de empresas participadas de municípios ou de associações de municípios que nos últimos três anos tenham apresentado resultados líquidos negativos.”

“a tentativa de isentar de responsabilidades futuras a autarquia de Viseu”

“o mau momento que uma das entidades responsáveis pelos parques industriais do concelho atravessa revela a falta de visão dos últimos executivos municipais ao influir negativamente na vitalidade económica do concelho”

“mais espantoso é saber-se hoje que o valor da participação, o “tal” valor a receber, foi depreciado e desvalorizado em cerca de 140 mil euros devido às alterações decorrentes da aprovação do novo Plano Director Municipal (PDM) em Setembro do ano passado.”

“Um quarto do montante que a Câmara Municipal de Viseu devia agora receber e a que, eventualmente, teria direito esfumou-se no ar quando, depois de doze anos de” ciente e cuidada análise”

“uma reavaliação em baixa no valor destes terrenos que tem consequências directas nos créditos que a Câmara Municipal possui sobre esta empresa.”

“dos cerca de 400 mil a receber nem uma moeda de euro transitará para os cofres da autarquia.”

“Almeida Henriques e o concelho têm agora mais três “bocados de terra” com infraestruturas no Mundão.”

Mas afinal que gramática é esta?

Perante que vocabulário puramente axiomático estamos nós?

Qual o valor da comunicação de Almeida Henriques perante os factos?

Aqui, as palavras têm uma relação nula ou contrária ao seu conteúdo.

Trata-se de “recobrir os factos com um ruído de linguagem. É o vazio da retórica.”

Citamos Barthes: “Todas as pinturas adjectivas que se esforçam por dar ao nada as qualidades do ser constituem a própria assinatura da sua culpabilidade.”

Almeida Henriques tenta explicar, airosamente, uma situação que o vereador da oposição, José Junqueiro, assim considera:

Esta é uma saída num contexto opaco, não vamos deixar passar esta situação em branco. Temos o direito de saber que negócio foi feito

E de facto, a opacidade é aquilo em que a cosmética transforma um real “encardido”.

Outra técnica aponta-a Hélder Amaral: “Achamos que a informação é insuficiente e muito contraditória.”

Hipo informação para obstar à assimilação da univocidade factual.

Perante os factos, que o Rua Direita despoletou e em primeira mão trouxe a terreira há já 45 dias, bom seria que a autarquia se enquadrasse num discurso real, sério, inequívoco e se deixasse de tentar cometer essa grande patetice, que é a de tentar fazer passar os munícipes por parvos…

Nessa matéria, caro presidente, nota-se o seu esforço, mas é insuficiente.

Aconselhamos uma formação profissional, por exemplo na Praxicenter… (a pub é de borla!).