A ficção da soberania

por Paulo Neto | 2014.04.17 - 17:02

 

 

“O mundo é apenas uma região de comércio e de insolência histérica.”

A.Bessa-Luís, “Dicionário O Dicionário Imperfeito” (Guimarães Ed.)

 

Quando os governos entregam aos mercados o controlo, perderam a sua independência, a sua autonomia.

Uma das facetas mais acutilantes das políticas neoliberais vigorantes é a da valorização do capital privado. Essa valorização só é possível através do esmagamento e desprezo da e pela justiça social.

Hoje fala-se muito em apatia política. Esquecem-se de acrescentar que tal apatia é cabal efeito da perda total de importância dos partidos políticos.

Quando os partidos políticos se tornam serviçais dos mercados, todas as ideologias que lhes estão subjacentes se tornam ocos “estatutos em papel”. E eles tornam-se todos semelhantes e supra ideológicos.

E essa diferença de acção ou a diminuta capacidade de acção vai gerar, nomeadamente nas classes mais esclarecidas, o total descrédito.

Os políticos partidários são hoje, e salvo honrosas excepções, meros peões de um tabuleiro de xadrez onde não ditam nenhuma regra, apenas abrindo caminho ao avanço demolidor das outras peças.

A questão colocada é esta: Votar para quê? Por mais voltas dadas pelo carrocel o resultado é sempre o mesmo…

Alternativa? Os partidos políticos, no seu maniqueísmo, são essenciais à democracia. E seu cancro. Até e porque, ao serem meros figurantes, os seus agentes, se tornaram em executivos de uma macro política global e micro politiquice individual.

Ao servirem aos “patrões”, estes, deixam-lhes a margem de “côdea” para aconchegarem aos queixais. A recompensa pelos bons trabalhos e os 30 dinheiros pelos quais vendem quem os elegeu.

Por seu turno, os mercados financeiros são instrumentos dos investidores, agiotas, especuladores. Que especulando ganham biliões extorquidos pelos seus aios aos contribuintes.  É aqui que está o eixo da questão, o nó górdio deste novo esclavagismo…

A sobrevivência de uma política comum europeia só terá êxito quando criar um quadro comum de políticas sociais e económicas, cimentando esse paradigma com os lucros bilionários dos investidores e não com os já raros cêntimos roubados aos contribuintes esfolados.

Mas para isso é preciso ter t……!

E os actuais políticos são uns frouxos.