A fancaria da administração…

por Paulo Neto | 2016.12.27 - 07:08

 

 

Qualquer administrativo de meia malga temporariamente promovido a coordenador de quaisquer recursos da res publicae, faira, que mais não seja por instinto primário, que os maus comandantes dão tropas fracas. E ao intui-lo, como qualquer podengo lebreiro, de imediato infere estar perante lura de laparotos de fácil abocanho, para seu pessoal consumo.

Porém, quando essa tropa fraca, rebotalho administrativo, é posta a comandar… a calamidade dos ressabiados, frustrados e incompetentes, que diariamente roem o ossobuco da inveja, emerge com a energia flácida e cobarde dos frouxos.

Hoje, fruto de escolhas políticas de duvidoso amiguismo e insalubre mediocridade, temos por aí resquícios dessa gente a inquinar muita daquela que é a maioritária administração pública zelosa, briosa, diligente e competente.

A anterior governança, em muitos casos, não foi assaz privilegiadora do mérito, a mais da vezes outrossim o tendo sido do critério do “lambe-botismo” acéfalo, perdendo a pouca credibilidade que ainda lhe assistia, que mais não fosse por mero e tolerante benefício de dúvida.

E ao fazê-lo, com a leviandade e a incúria dos sempre impunes, legou história de case studies que porfiarão na memória, se bem que ligeira, de mandantes e mandados, ou se calhar, tudo junto, no mesmo saco, nem a uma ou outra categoria pertencendo, por serem lama do mesmo charco.

Essa gente, no despudor dos protegidos, enche-se de efémero gáudio no uso abusado do poder conferido, comportamento típico dos insuficientes. Talvez seja, porventura, a única ufania que das pardas existências conseguem retirar, no usufruto marchante e rufado de contínuos de terceira adornados com fardas alugadas de coronéis de primeira.

Fancaria e presunção, que só seria ridícula se não fosse lesiva de quantos contamina com a sua dolosa actuação.