Auditoria forense à CGD. Mais areia para os olhos do Tuga?

por Paulo Neto | 2016.07.24 - 13:18

 

 

De 2000 ao presente – para não fazermos mais exercício de arqueologia bancária – passaram pela presidência do conselho de administração do banco público, a CGD, os seguintes indivíduos:

De 2000 a 2004 – António de Sousa. Nomeado por Guterres teve consigo Mira Amaral.

De 2004 a 2005 – Vítor Martins. Nomeado por Santana Lopes teve a seu lado Celeste Cardona.

De 2005 a 2008 – Carlos Santos Ferreira. Nomeado por José Sócrates contou com a ajuda de Armando Vara.

De 2008 a 2011 – Fernando Faria de Oliveira, ex-ministro de Cavaco Silva. Coadjuvaram-no Jorge Tomé e Rudolfo Lavrador.

De 2011 a 2015 – José de Matos. Nomeado por Passos Coelho. Contou com António Nogueira Leite e Nuno Fernandes Tomaz.

Serão estes os putativos alvos da auditoria forense aprovada à CGD? Esta gente do PS, do PSD e do CDS?

A auditoria forense foi proposta pelo BE e visa apurar responsabilidades no tocante às operações mais elevadas e às grandes perdas que a elas estão associadas. Votaram a favor o proponente BE, o PS, o CDS, o PAN. Abstiveram-se o PSD, o PCP e Os Verdes. Porquê?

Segundo Carlos Costa “As auditorias forenses são um instrumento complementar de supervisão que visam confirmar o cumprimento rigoroso das matérias que se inscrevam nas competências do Banco de Portugal”.

O que fizeram Vítor Constâncio e Carlos Costa nestes anos à frente do BdP, como entidade reguladora bancária, de 1985 a 1986 e de 2000 e de 2010 e de 2010 a 2016, respectivamente?

Não foi com eles enquanto governadores que aconteceram todas as calamidades? Vítor Constâncio, como se pode ler no precioso Wikipédia, “Em 2010, ano em que errou as previsões macro económicas e de falhas na supervisão bancária por não actuado ou o fazer tardiamente nos casos do BPN, BCP e BPP, e que custaram aos contribuintes portugueses um montante superior a 9.500 milhões de euros, viu todavia reconhecidos os seus méritos na União Europeia, sendo nomeado em 2010 vice presidente do Banco Central Europeu, num mandato que durará oito anos e onde é responsável pela supervisão bancária.”

Para onde irá Carlos Costa?

Que sucederá aos administradores supra referidos?

Lembremos que os altos lugares na CGD e mesmo lugares intermédios de destaque, são mais de nomeação e ascendência/confiança política do que por mérito pessoal. Por isso, até a nível distrital haverá muito a cavar.

Estes “funcionários políticos”, após a auditoria forense – que naturalmente será tão inconclusiva quanto as comissões de inquérito parlamentar onde os inquiridos vão gozar com os inquiridores – caso se lhes apure gestões danosas e /ou criminosas vão pagar por isso? Serão presos? Vão ser penhorados dos seus bens? Vão a tribunal responder pelos seus actos de administração/gestão? Ou vão receber um exílio doirado?

Nada disso… Vai pagar por eles todos o do costume, o Zé Tuga, já tão fartinho de “inchar”.

É claro que estes despautérios têm reflexos terríveis nas contas públicas. Por isso, também por isso, o espectro terminal das sanções pela acção política dos governos de Sócrates e Coelho/Portas vai trazer mais austeridade para os do costume, na sua eterna e repetida modinha mal trauteada.

É cá um ópera… ou obra?