4 breves notas de domingo

por Paulo Neto | 2014.07.27 - 13:20

Anteontem, na TV vi o que me pareceu ser uma “múmia desentrapada” propor uma nova Constituição Portuguesa. Fiquei atónito. Não pela afirmação (recorrente em certos sectores) mas por causa da imagem… Estava sem óculos e mal os coloquei percebi que afinal era o militante nº 1 do PSD, o Senhor Balsemão, o nosso Mister Bilderberg. Tal equívoco! As minhas desculpas… A falta de óculos a partir de uma certa idade é muita perigosa.

Começam a chegar os nossos emigrantes. Vêm na sua peregrinação anual, penitentes do afecto, aqueles que a Pátria esqueceu mas não esquecem a Pátria. As vilas e as aldeias do interior, tão despovoadinhas, enchem-se de gente nova, bonita e de animação. As festas estão aí por todo o lado. Cheias de genuinidade e alegria. Ontem, a Festa da Amizade, em Sernancelhe, deu o mote; em Abrunhosa-a-Velha, conforme artigo noutra secção, a aldeia tinha mais visitantes que habitantes… Que bom se fosse sempre assim!

Daquela imensa quantidade de “representantes do povo” na “casa do povo”, parece que só um décimo é efectivamente bom em assiduidade. Eles terão razão… Horas perdidas a ouvirem as baboseiras uns aos outros para justificarem os salários e mordomias, deve ser uma duríssima tarefa, uma labuta penosa, uma árdua forma de ganharem a vidinha… E há até alguns que estão lá um mandato inteiro, entrando mudos e saindo calados. Ocorre-me aquele antigo sinaleiro de Viseu – no tempo em que havia sinaleiros com aqueles capacetes brancos, a parecerem uma cabeça de giz – o “bigodes” de sua alcunha, muito brioso e lesto a dar ao braço. Páre. Siga. Páre. Siga… Era um funcionário público muito útil.

O GES continua a sua saga dos milhões: buraco de 650 milhões à Tranquilidade; 85 milhões da ESCOM congelados quando iam de mala aviada; Ongoing e o não aos 140 milhões do BES; PT e já lá vão 897 milhões… com tanto buraco até parece as estradas do concelho de Mangualde no tempo do “adredemente obnubilado” SM. Duque, o do honoris causa mais recente, questiona-se a tentar ter graça: “Ouve lá, tu és burro ou quê?” Quê, Duque, quê! Mas é na crónica de Nicolau Santos que vem um naco saboroso, que se transcreve com vénia: “O BES foi seguramente, nos últimos dez anos, o banco que mais investiu em publicidade na comunicação social. Essa estratégia nunca foi inocente. Na sua mão tinha sempre a espada de Dâmocles que levava o director de qualquer rádio, jornal ou televisão a pensar duas vezes antes de publicar algo desagradável para o banco verde.”

E de repente – alguém me ajuda? – porque me terei lembrado da Câmara Municipal de Viseu?