Memória

por António Soares | 2015.07.16 - 10:13

 

É provavelmente uma das frases mais conhecidas, a de Ortega y Gasset, “eu sou eu e a minha circunstância, se não a salvo, não me salvo a mim”. Mas mais que circunstância, somos memória.

Eu – que também és tu ou você – sou eu e a minha memória, se ela não se salva, eu não me salvo, e os outros não se salvam em mim.

Somos tão breves quanto isso: o que prevalece depois do que se esquece, o que não sabemos esquecer e o que fica à espera de ser esquecido. Somos um sopro do destino e uma cicatriz do tempo. Para nós e para os outros. Em nós e nos outros.

Somos todos passageiros uns dos outros. Escolhemo-nos e levamo-nos, mesmo quando não damos por isso.

As boas memórias são as que nos parecem mais do que as que merecemos, melhores do que as que desejamos e que não nos abandonam mesmo quando nos queremos sós.

Até que todas as memórias se apaguem.