Às armas. Contra a vergonha marchar marchar

por Isabel Mendes Ferreira | 2013.11.30 - 12:28

às armas. contra a vergonha marchar marchar. contra a película sufocante do medo instalado. contra a fome aberta e o coração intruso a bater morrente. contra o olhar desfeito entre lágrimas e pó e corpos volúveis sentados no altar da indiferença. às armas. que seja agora e nunca depois. que nos atardamos. contra a maré enchente de uma tristeza litúrgica e letárgica e letal. somos e estamos de gelo. gelados e dóceis. animais pastores do musgo em vez de papoilas de sangue vivo. somos e estamos de morte consentida. às armas. contra os canhões da cobardia.gritos e gritos e joelhos em terra gargantas e mãos abertas. ao alto. ao perto. destiladas de mosto maduro. de canteiros de cal ardente. um sonho. por um sonho que não seja fábula. às armas_____________________________indisplicentemente.

Isabel Mendes Ferreira escritora, poetisa e pintora, natural do Montijo, editou o seu primeiro livro de poesia em 1982: "Sobre as Ervas um corpo de Junho". No ano seguinte edita na Bertrand "Um Nocturno de Bach" e "Um Relâmpago no Olhar", segue-se "Um Corpo (sub) Exposto", na Imprensa Nacional, sendo 1984 o ano de edição do livro de contos "A Mais Loura de Lisboa", na Difel. Em 1990 volta à poesia com "A Pele na Presença Ponto Final", na Átrium, "Cantochão" e "Vermelho Doce", na Produce. Regressa em 2010 com "As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar", na Babel e entra em duas antologias. Possui colaboração dispersa por várias publicações e ainda são seus os textos do livro "Imagens", de Dina Aguiar, as ilustrações do "À Mesa do Amor", de Joaquim Pessoa e os textos do "a. des.escrever esta língua que me é mar", em co-autoria com José Rodrigues, editado este ano pela Câmara Municipal de Cascais.

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