Ninguém hoje ignora que o presidente da Argentina Javier Milei perde frequentemente o controlo de si próprio e, em demenciais ataques de fúria, com um olhar alucinado, exsudando litros de suor, frenético, senão histérico, verbera violentamente aqueles que, circunstancialmente elege como vítimas do seu furor.
Arrogante, mal-educado, grosseiro ao mais baixo nível, este populista de ultradireita que se autointitula anarco capitalista é, contudo, o presidente da Argentina, democraticamente eleito, com 55,6% de votos, desde dezembro de 2023.
As suas últimas atitudes levaram-no a ser considerado persona non grata pela França de Macron, Espanha de Sanchez, Brasil de Lula da Silva e, até no seu próprio país, pelo Conselho Deliberativo de Bariloche e ex-combatentes das Malvinas…
Esta semana, Milei, com o seu homólogo Trump, auxiliou Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil, facilitando a sua fuga em Porto Iguaçu, na Argentina, onde foi visto com Santiago Caputo, assessor de Milei. Bolsonaro, em discurso proferido ontem, dia 28, Flávio agradeceu a Milei “pela coragem, senso de justiça e legalidade”. Tal atitude veio deteriorar completamente as já inquinadas relações diplomáticas com o Brasil.
Mas não se fica por aqui na sucessão de polémicas verberando o veterano jornalista de investigação Hugo Alconado Mon e outros quatro repórteres, a quem acusou de “mercenários das mentiras” sugerindo que deveriam ser “queimados na fogueira”, o que levou associações internacionais de jornalistas a condenar estas “ameaças de morte” e a apresentar queixa formal na ONU por atentado contra a liberdade de expressão e de informação.
Estes jornalistas tinham denunciado o escândalo que envolveu Milei e sua irmã, Karina Milei, num esquema fraudulento de cripto moedas, o $Libra, que causou prejuízos de milhões de euros a milhares de investidores.
Certo é que, se não surgir nenhum imprevisto, Javier Milei será presidente até finais de 2027 e, de moto serra na mão, promete “decapitar” metaforicamente, quantos à sua volta e no exterior, a ele e às suas políticas se oponham.
O símbolo da moto serra foi usado nas eleições de Dezembro de 2023 para cortar na máquina estatal visando acabar com o déficit, tendo para o efeito sido congeladas obras públicas, eliminados subsídios de energia e transportes, et al, o que conseguiu baixar a inflação para menos de 2%, mas à custa de uma brutal recessão na indústria, de um aumento enorme do desemprego, de um desmesurado crescimento da pobreza e de enormes custos sociais, em geral.