Ronaldo

JESUS - O técnico saberá muito de futebol, não está em causa, mas de relações interpessoais é um "flop", um falhanço. Tem uma liderança medieval, trauliteira, que não é deste tempo.

Tópico(s) Artigo

  • 18:15 | Segunda-feira, 05 de Outubro de 2026
  • Ler em 2 minutos

O assunto da semana. Ronaldo. Estiveram todos mal, péssimos, básicos. Dividindo em cinco partes.

RONALDO – Por mais que se sentisse injustiçado, por pior que se sentisse, por mais sapos que tivesse de engolir, por mais bílis que vomitasse, não podia ter ido para os balneários antes de todos os outros. Os amuos têm-se em casa, e é mais próprio da canalhada. Tinha de se ser mais frio, de gelo, se tivesse de ser. Um capitão é um capitão, um símbolo é um símbolo. A atitude não tem desculpa.

FPF – Pedro Proença – A FPF, que é uma estrutura de elite, altamente profissionalizada, devia ser mais organizada, mais activa e menos reactiva. Revelou-se uma entidade ataboalhada, impreparada. Os jogadores de selecção têm um ego grande, não há excepções, alguns escondem-no, outros nem por isso. Com isto quero dizer que a FPF devia ter preparado a saída de Ronaldo. Os ídolos também precisam de apoio para saírem melhor do estrelato, daquele mundo de milhões. Não será fácil. Mas Pedro Proença falhou, devia ter antecipado o problema do declínio. Deixar os holofotes deve ser traumatizante e doloroso. Há por aqui quem, por bem menos, procure uma nesga de sol. A saída merecia um acompanhamento especializado e muito focado.


JESUS – O técnico saberá muito de futebol, não está em causa, mas de relações interpessoais é um “flop”, um falhanço. Tem uma liderança medieval, trauliteira, que não é deste tempo. Já não estamos no tempo das chuteiras de pele de vaca e travessas de madeira. Por isso, nunca será um treinador completo, de topo. A conferência de imprensa que antecedeu a saída de Ronaldo foi uma asneira desnecessária. Pôr sal na ferida, quando o ambiente estava quente, só não foi irresponsável se pretendia mesmo escorraçar Ronaldo. “Aqui manda sou eu, e mais ninguém”, “não peço desculpa a ninguém”, podendo ser verdade, foi despropositado, só piorou.

A MARCA – O futebol, há muito que deixou um desporto para passar a ser uma indústria. Se antes das decisões desportivas se pensasse na MARCA RONALDO, era escusado andarem agora a fazer vénias, a chorar saudades, a convocar cimeiras da paz e a votar em despedidas em grande. Acabem com essas conversas da treta. É tudo hipocrisia para tentar salvaguardar a riqueza da FPF, fundada na MARCA RONALDO.

O RESULTADO – Se Ronaldo esteve muito mal ao sair, estaria muito pior se aceitasse regressar. Seria entrar num oceano de cinismos e hipocrisias, que devia dispensar. Goze a reforma e mande às malvas quem o tratou mal. Não tem de haver festa de despedida. Daqui a umas semanas, pelo jeito que as coisas já ninguém se lembra do que ele fez por Portugal. Portugal é muito pequenino, no território e nos reconhecimentos. Somos invejosos e ingratos. Talvez o mal esteja na forma como corremos com os Filipes. Mas a vida é o que é.

 

Rebelo Marinho

Gosto do artigo
Palavras-chave
Publicado por
Publicado em Opinião
3