A Banca sem fundo…

Já não é tão curial que mais de 20 anos volvidos, com a banca a anunciar anualmente lucros fabulosos, esta ainda não tenha tido a seriedade de liquidar a sua dívida. Dívida essa aos contribuintes, a quem “arrecada” os milhões que a trazem bem nutrida.

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  • 19:55 | Terça-feira, 06 de Outubro de 2026
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Soubemos hoje pelas notícias (DN) que alguma banca portuguesa, acarinhada pelos sucessivos governos, deve ainda ao Estado a quantia de 21 mil milhões de euros, de um total de 30 mil milhões, que lhe haviam sido “emprestados”, a pretexto da estabilidade e do equilíbrio financeiro nos pretéritos tempos de crise (2008…).

É razoavelmente aceitável que o Estado, se tiver fundos para isso, em momentos de “sufoco” ( desaire do BPN e o tsunami que provocou), dê a mão à banca para obviar a uma catástrofe económica de consequências gigantescas, talvez a um colapso financeiro parcial.

Já não é tão curial que mais de 20 anos volvidos, com a banca a anunciar anualmente lucros fabulosos, esta ainda não tenha tido a seriedade de liquidar a sua dívida. Dívida essa aos contribuintes, a quem “arrecada” os milhões que a trazem bem nutrida.


É claro que à época, para sustentar o bom rigor das decisões, foram trazidos à liça os pareceres de seriíssimos políticos e renomados economistas que, como um coro de carpideiras, de mãos nas fervilhantes e arrepeladas cabeças pensantes, juraram a pés juntos, em todas as tribunas e púlpitos, que o país iria pela pia abaixo se esses empréstimos não fossem concedidos com a urgência exigida. Bizarramente (ou não), muitos desses cidadãos, mais directa ou colateralmente, teriam ligações à banca ou, formalizaram-nas mais tarde. Nada de estranhar, neste pequeno país onde os ricos são todos compadres e comadres ou primos entre si.

21 mil milhões de euros é uma quantia inimaginável para 99,9% deste plácido povo. Segundo as fundamentadas contas do DN dariam para “pagar um novo PRR”…

Nesta mirabolante engrenagem, além do citado BPN, que havia sido fundado e presidido por José Oliveira Costa, já falecido, antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do X Governo Constitucional, chefiado por Aníbal Cavaco Silva, o BES/NB, o BANIF e a CGD vêm à refrega  exigir essas verbas para garantirem a sustentabilidade do sistema.

Mas, segundo o DN “muito dinheiro público vertido sobre a banca serviu também para tapar buracos gigantescos nos balanços e pilhas de crédito malparado, fruto de negócios ruinosos, de crimes como associação criminosa, corrupção ativa, burla qualificada, manipulação de mercado e branqueamento de capitais, segundo os muitos processos judiciais que correram e ainda correm.”

E só isto deveria deixar-nos em estado pré-comatoso pela inquietação provocada, a nós, contribuintes humildes e cumpridores esganados pela cupidez da banca, em geral.

Mas mais preocupante é o facto de, nestas quase duas décadas, se ter mantido um “laissez faire, laissez passer” para o qual o comum dos mortais não logra vislumbrar explicação. Laxismo ou ínvias negociatas toleradas, consentidas, permitidas?

Se a CGD vem lentamente amortizando o capital recebido, ao BES/NB faltava liquidar 93%, ao BPN, 91% e ao BANIF 85%.

São muitos milhares de milhões…

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Publicado em Opinião