O escaganifobético assalto ao gabinete de André Ventura ou “o grau zero da nossa democracia”

Como se fosse um cenário meticulosamente organizado até lobrigamos um passepartout com a Nª Sª de Fátima e, sobre o vidro, muito bem enquadrado, um terço que pretende ser prova da profunda fé cristã do seu dono/usuário.

Tópico(s) Artigo

  • 17:23 | Quarta-feira, 29 de Julho de 2026
  • Ler em 2 minutos

Estranho, este assalto ao gabinete do líder do CH, na Assembleia da República.

Décadas de história parlamentar não nos dão análoga ocorrência. Não obstante sabermos que com este partido e com este líder e seus acólitos tudo é possível, desde fake vídeos publicados no tik toc, a ridículas congeminações para “pato bravo” apreciar (e são inúmeras), acrescidos dos comportamentos manifestados pela bancada parlamentar, num tumulto por vezes quase histérico e frequentemente ofensivo, a tudo vamos assistindo e quase nos habituando.

A História do século passado deu-nos alguns exemplos de arruaceiros e provocatórios comportamentos, em momentos cruciais da emergência dos radicalismos mais “destravados”. Felizmente foram efémeros e com a sua síncope pereceram os seus principais líderes. Infelizmente fizeram milhões de vítimas e foram devastadores no que arrasaram.

Desde fotos ajoelhado em Fátima de vela na mão; filmes a sugerir o apagamento de fogos; reportagens com água simulada nas catástrofes meteorológicas; simulação de eventuais achaques em período eleitoral; comunicados sobre possíveis ameaças e ataques à sua pessoa… tudo serve para criar factos mediáticos com impacto na opinião pública mais acrítica.


Desta feita, o gabinete deixado de portas abertas apareceu assaltado pela alvorada, numa descoberta feita por um madrugador deputado do partido que aí se dirigiu (convenientemente, diríamos se fôssemos dados a teorias conspirativas…) a uma inusual hora: 07H00.

As imagens de imediato postas a circular nas redes sociais mostram papéis no chão, armários abertos, cadeiras tombadas e fotografias emolduradas (cujo vidro, decerto de alta qualidade, se manteve inquebrável). Como se fosse um cenário meticulosamente organizado até lobrigamos um passepartout com a Nª Sª de Fátima e, sobre o vidro, muito bem enquadrado, um terço que pretende ser prova da profunda fé cristã do seu dono/usuário.

Sabendo-se que a segurança do parlamento é “à prova de bala”, só um treinado 007, um artificioso Arsène Lupin, um qualificado agente do MI6, um degenerado espião da CIA ou da KGB, ou um mefistofélico Spaggiari seriam habilitados para tal façanha.

Resta agora aguardar pelos resultados da competente investigação encetada pela PJ e esperar que seja(m) encontrado(s) o(s) larápio(s).

Até lá todos são suspeitos, desde deputados a membros do governo, agentes da autoridade e funcionários. Ademais, estas ocorrências, inquietantes, causam fundados receios de se voltarem a repetir e, se forem circunscritos ao gabinete do líder do CH, capazes de lhe tirar a paz de espírito e a força anímica que o encaminhariam  inexoravelmente aos mais altos desígnios da nação.

Quanto ao invocado “grau zero da democracia” atingido, como referiu Ventura num post nas redes sociais, as questões são:

Quem beneficia, afinal, com esse grau zero da Democracia? Quem tira proveito da descredibilização das instituições?

 

PS: Depois de uma invocada CPI ao ministro da Administração Interna, denuncia o CH que desapareceu uma pen, ali à mão de semear, com dados relevantíssimos, secretos e fundamentais acerca de Luís Neves.

Mas também terá desaparecido outra pen, com informações sigilosas acerca do primeiro-ministro e talvez do caso “Spinumviva”.

Que pena, tão relevantes, cruciais e confidenciais provas, ali à mão de semear, terem sido roubadas…

 

 

Gosto do artigo
Palavras-chave
Publicado por
Publicado em Opinião
1