As girls

Em dias de festa todo o seu corpo humedece, ficam crocantes, estaladiças. Até o verniz derrete. Derramam simpatia. Umas são mais discretas, outras é uma desgraça. Andam numa agitação prenúncio de graças. Umas estouvadas.

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  • 17:45 | Segunda-feira, 27 de Abril de 2026
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Não há poder que dispense as suas girls. É dos manuais. O poder é um imenso afrodisíaco e tem um incomensurável efeito sedutor.

Elas passeiam-se elegantes e um tanto ou quanto oferecidas.  De preto ou vermelho que, ao que dizem, têm o mesmo alcance destruidor. Com um sorriso de orelha e uma tensão nos olhos. De coração largo, são muito dadas. Em dias de festa todo o seu corpo humedece, ficam crocantes, estaladiças. Até o verniz derrete. Derramam simpatia. Umas são mais discretas, outras é uma desgraça. Andam numa agitação prenúncio de graças. Umas estouvadas.

As mais estarolas não escondem o frenesim que lhes atazana o corpo, o diabo a picá-lo. As girls são um um acessório gelatinoso a que ninguém fica indiferente. Uns por cobiça, outros por fraqueza. Político sem girls é homem frouxo. As bonequinhas, penteadas e de lantejoulas, acompanham os regimes e os partidos. Fazem parte da ementa. E da vida. Não sei se acrescentam se prejudicam, o certo é que vieram para ficar. Loiras, morenas, ruivas, há para todos os gostos.

Quando gente nova chega à aldeia, há uma agitação que fica no ar e marca o dia. Começa logo de manhã com os melhores vestidos. Prolonga-se numa preguiça indolente, nunca mais chega a hora dos beijos e das fofocas. E do tratamento por tu, que dá estatuto e prenuncia intimidade. O tempo vai para as grafonolas. Em dias de forasteiros, ninguém pára com elas, histéricas e histriónicas, é um ver-se-te-avias numa procissão de pecadores.


A sua importância para o bem-estar do sacrificado contribuinte? Nenhuma!

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