O falhanço da Airv

por Fernando Figueiredo | 2019.05.06 - 19:30

A Associação Industrial da Região de Viseu foi criada a 16 de Outubro de 1982, com o intuito de unir todos os industriais da nossa região, uma vez que estes se encontravam dispersos por uma série de Associações existentes na altura.

Já lá vão 37 anos e a questão hoje é a de saber onde estão os industriais mais que conhecer se estão unidos. Chegou a contar nos seus registos com mais de 4 centenas de associados mas, o mais evidente é que hoje se fiquem pela metade e os rumores da sua falência mais afastarão os poucos investidores que ainda apostam na região.

Todos os empresários, sobretudo os mais novos, certamente que já se questionaram do porquê de se afiliar à AIRV. O mais provável é de que perante a imagem actual da associação entendam não ser mais do que uma “conta a pagar”, através da contribuição, ao invés de a perceberem como um espaço de oportunidade de se reunirem com outros empresários para tentar expandir seu “market share”.

A AIRV, tal como outra qualquer organização, também são as pessoas e se na sua génese teve presidentes que não servem como exemplo de empresários, hoje parece ter um presidente empresário que não serve como exemplo de líder apesar de recorrentemente ser apontado como tal, inclusive num dislate que Jorge Coelho teve no programa de comentário que conduz na SIC.

A prova mais recente está na lista das PME premiadas pelo IAPMEI onde não consta sequer uma das muitas das suas empresas como até seria expectável por parte daquela que detém o pasquim do regime onde faz publicar como “qualquer bom juiz em casa própria” a publicidade da AIRV.

Talvez por isso, os últimos relatórios conhecidos sejam os de 2016 e ainda assim omissos à semelhança do que acontece com outras instituições onde a AIRV detém participações e onde também a transparência de gestão não fazem parte da imagem de marca.

Um ano e meio depois de “nova direcçãoa inércia e promessas de intenção são a marca mais fácil de identificar naquela casa.

Do CERV nem sinal e o mais certo é nem o formalismo burocrático e financeiro estar concluído à semelhança do que acontece com a participação deste órgão na Viseu Marca, não se antevendo que seja neste mandato ainda que se cumpre o objectivo de unir todas as associações empresariais da região ou até como anunciado que “a região tenha a força e o peso politico que merece, falando a uma só voz junto do governo central”.

Isto é tão mais importante porquanto há evidência estatística relevante na relação entre o crescimento económico dos concelhos (criação de emprego, criação de valor e riqueza) e dinâmica das principais Instituições, nomeadamente aquelas que estão ligadas às empresas como são associações empresariais e assim sendo, o falhanço da AIRV é um sinal negativo para o crescimento económico no concelho e distrito.

De um modo geral, a AIRV devia ser uma organização que valoriza o coletivo e através dela e de acordos feitos entre seus associados, muitos serviços e produtos deviam ser disponibilizados para uma comunidade de empreendedores de forma muito mais acessível, e com benefícios compartilhados nessa comunidade.

Nesse campo, também a interligação ensino/empresa com as instituições académicas da cidade e a relação associação/sociedade civil são primordiais e devem ser acarinhadas para que mutuamente se apoiem e potenciem.

A AIRV podia ser uma ferramenta importante e fulcral para a captação de investimento e promoção do “core business” da região.  Podia e devia! Já lá vão quase 4 décadas mas ainda é possível.

Fernando Figueiredo

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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