Em vez do Caramulinho

por Nuno Rosmaninho | 2019.12.02 - 13:08

Quem viveu o Outono de 2019 sabe que foi chuvoso. Tenho ouvido muita gente chamar-lhe inclemente e depressivo. Os ciclistas amadores responsabilizam-no pela falta de treino e a ausência na chamada ao Caramulinho.

Há uma semana, domingo de queda, ficou resolvido acudir-lhe no dia 1 de Dezembro, como recomenda a tradição recente. Nem todos disseram que sim. Eu estava de fora por motivos estranhos à prática desportiva. O Físico declarou-se impreparado. Os demais, sem o andamento de outros tempos, estavam dispostos a aceitar o repto. Na véspera, porém, a convocatória tardou a repicar nos telemóveis. E foi já pela hora do jantar que o Periglicófilo reconheceu as condições atmosféricas adversas. Tinha razão. Ouviu-se chuva e vento fortes durante a noite, a madrugada e o princípio da manhã.

Ninguém nos peça para subir o Caramulo com esta invernia e, sobretudo, ninguém nos peça para o descer assim. De quantas curvas precisaríamos, nos trinta quilómetros de descida até Águeda, para nos derramarmos no asfalto encharcado, tocados por uma rajada de vento lateral ou pela terra espalhada na via? Sois timoratos! – dirão alguns. Somos prudentes! – diremos nós. Facto, há só um: o ano de 2019 vai terminar sem uma ascensão gloriosa ao Caramulinho.

Estava eu nisto quando o Informático Ferroviário enviou a seguinte rectificação, que recebi como justa reprimenda: «Houve ascensão no 1.º de Maio. Não houve, foi ida a Fátima.» Assim se repõe a verdade, se corrige um Escrivão apressado, para não dizer leviano, e se medem as consequências de eu ainda não ter chegado aos dois mil quilómetros no presente ano. Não me lembro de ter subido o Caramulinho, porque decerto não o subi.

Nuno Rosmaninho

(Foto DR)