As oportunidades da Indústria 4.0

por Manuel Ferreira | 2018.02.04 - 19:20

 

Depois das três primeiras revoluções industriais, a partir do ano de 2010 começou-se a falar da quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0. Uma transformação que se verifica na comunicação dos ambientes industriais, que  marca uma era da ciência caracterizada pela inovação e que privilegia a gestão do conhecimento.

Este novo ambiente criou novos desafios às empresas e ao futuro, pelo que agora começa-se a pensar de novo na indústria, surgindo desafios à competitividade numa ligação entre produção industrial, desenvolvimento tecnológico, inovação e emprego qualificado. Para esta nova ideia muito terá contribuído a revolução energética do “shale gas” (petróleo e gás mais barato) no EUA, que colocou os preços do petróleo e do gás natural a preços competitivos e permitiu a criação de políticas públicas de reindustrialização, invertendo em muito a deslocalização da indústria para países emergentes como México, China, Vietname e outros.

Deste modo, nasce um novo conceito de indústria que implica a utilização ao máximo das tecnologias de informação, a comunicação, a localização mais avançada, a robótica para desenhar, produzir produtos e alimentação de cadeias de produção, a criação de sistemas para recolha e tratamento de informação ao gosto dos clientes e dos fornecedores de matérias-primas ou de subcentros, pelo outsourcing na cadeia de valor,  a produção de compactos de software que substituem em pleno o perfil dos recursos humanos na sua formação de base e qualificação.

No passado recente, tínhamos orientações subordinadas a níveis limitados de produtividade em função da escala e de uma produção massificada. Atualmente, através da Indústria 4.0 podemos produzir produtos complexos, personalizados e para o “mercado” para um só consumidor, à unidade, a preços iguais aos de uma produção massificada, com rácios de rendabilidade melhorados, com elevada rotação de capital.

Estas possibilidades marcam o núcleo da Revolução Industrial 4.0. Estamos face a uma nova Revolução Industrial que tem sido seguida por diversos países europeus e asiáticos e tem provocado mudanças na maneira como se produz, como se consome e como as empresas interagem com os clientes. Em Portugal, a mudança é híbrida, mas não podemos ficar para trás. Temos de aproveitar esta oportunidade e direcionar as nossas políticas públicas para o crescimento e desenvolvimento, tendo em consideração  a nossa realidade.

Manuel Ferreira tem 49 anos e nasceu em Lamego. Casado, dois filhos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Letras do Porto. Possui a Especialização em Administração e Gestão Escolar e é Mestre em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa. Militante socialista desde 1996, foi membro da Assembleia Municipal de Lamego entre 1997 e 2001 e Secretário do Gabinete de apoio do pessoal do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego entre 2001 e 2005 e membro da Comissão Política durante vários anos. Atualmente é Presidente da concelhia de Lamego do PS e membro da Comissão Política da Federação de Viseu.

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