Roma traditoribus non premiae

por Paulo Neto | 2019.10.22 - 21:41

Há asserções inultrapassáveis que ficam epigrafadas séculos afora no dorso do fugidio tempo, para que não as esqueçamos nem às causas ciclicamente recorrentes que as geraram.

António Costa acabou de constituir o seu amplíssimo Governo. Desta feita – gato escaldado de água fria tem medo – tirou os primos e as tias, mas como o Halloween está de vésperas, congregou boa representação na matéria.

Os secretários de estado viseenses tiveram sorte, uma pelas “causas fracturantes” que abraçou de peito ancho, outro porque é um jovem desportista de muito fôlego e mais pulmão. Lidas as vísceras, a orácula de Cumas premuniu: será o futuro líder da federação do PS Viseu e o primeiro presidente socialista da autarquia local. Não temos dúvidas, ungido dos deuses e do fatum, tudo tem até para vir a ser brevemente futuro secretário-geral dos rosas, embora nunca tenha ganha uma eleição.

“Tu quoque, Brute, fili mi!”

No partido laranja, afiados os punhais, a vendetta nem fria se servirá. Querem-na já servida, ebuliente, e tal é a sede e a sofreguidão que quase parecem canibais num festim antropofágico.

Entretanto, o edil-mor viseense, como nos tempos áureos da decadência romana, convoca um festim para celebrar os seus 2 anos de triunfal e glorioso mandato. Provavelmente para fazer ver a Ruas que também tem as suas carabinas oleadas.

Por falar nisso, Almeida Henriques foi convidado para o jantar de Ruas? Ah, não sabem! Eu também não. Mas decerto que convidará Ruas para o seu epifânico auto-louvor, sentando-o na mesa de honra, ao seu lado direito.

A política tem regras de boa educação e cortesia e estas são elementarmente básicas.

Paulo Neto