Porque é que a Viseu Marca não apresenta as suas contas?

por Paulo Neto | 2018.12.04 - 10:29

 

 

 

Este assunto é recorrente mas, ao que parece, inconsequente. A Viseu Marca é uma parceria público-privada (?) entre a CMV com 48%, a AIRV com 48% e alguém mais que não se sabe quem com os restantes 4%, os quais na Informação Empresarial Classificada aparecem como capital não subscrito.

Surgiu uma petição pública de cidadãos com aproximadamente 2 centos de assinaturas a requerer a divulgação integral dos Relatórios de Gestão da Viseu Marca. Há quase 3 meses, os vereadores do PS na Câmara de Viseu também os requereram.

Todavia a dita parceria público-privada (?), empregadora de um “conceituado” grupo de colaboradores, entre permanentes e avençados, vem para a praça pública e para os órgãos de comunicação social dependentes da publicidade institucional, clamar que já os apresentou e reclamar a sua transparência.

Para que sejam transparentes é necessário que seja apresentado o que há muito lhes vem sendo pedido e que até agora permanece invisível: Os Relatórios e Contas referentes à Viseu Marca dos anos de 2016 e 2017. Onde estão as execuções das despesas, por exemplo?

Decerto que a Viseu Marca que gere milhões de euros e que, entre outros tem a gestão da Feira de S. Mateus, que lhe foi pela cessante Expovis oferecida de bandeja, é uma entidade seriíssima. Quem dúvida? Tal constatação mais intrigante torna este jogo das escondidas, o qual, como ninguém ignora, só abre porta às mais diversas conjecturas pela ambiguidade comportamental exibida.

A Viseu Marca não apresenta as contas apenas porque trombeteia na “friendly press” tal façanha. Apresenta-as quando as tornar integralmente do conhecimento público. Que o mesmo é dizer, o Compadre Zacarias, por exemplo, não é “sincero” porque no seu discurso, veemente, refere o advérbio de modo “sinceramente”. Sê-lo-á pela inequivocidade dos seus actos.

Enquanto uma atitude destas persistir, por mais “sinceramentes” que a Viseu Marca profira, por milhentas vezes que reitere e jure ter feito o que não fez, mesmo sendo fã do adágio popular propalador que “uma mentira mil vezes repetida se torna verdade”, a verdade não se deixa domar e, “como o azeite, vem sempre ao de cima.”

E quando o autarca-mor, de peito ancho e olhos baixos vier afirmar aos microfones reverentes que:

 “Só por manifesta ignorância ou falta de seriedade se pode afirmar que as contas da Viseu Marca não são públicas ou transparentes. “

Eu, pessoalmente, respondo-lhe que posso ser ignorante, por não as ter visto, mas quanto à falta de seriedade… redireccione Vexa. a infâmia para outro lado.

E com esta historieta me vou:

“À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta

A rábula é conhecida. Decorria, em casa de Júlio César, no dia 1 de Maio do ano 62 a.C., a festa da Bona Dea, ou “Boa Deusa”, uma orgia báquica, reservada exclusivamente às mulheres. A celebração fora organizada por Pompeia Sula, segunda mulher de Júlio César, jovem e muito bela.

Acontece que Publius Clodius, jovem rico e atrevido, estava apaixonado por Pompeia e não resistiu: disfarçou-se de tocadora de lira e, clandestinamente, entrou na festa, na esperança de chegar junto de Pompeia. Porém, foi descoberto por Aurélia, mãe de César, que lhe frustrou os intentos.

Nesse mesmo dia, todos os romanos conheciam a peripécia e César decretou o divórcio de Pompeia. Mas César não ficou contra Publius Clodius e chamado a depor como testemunha em tribunal, disse que nada tinha, nem nada sabia contra o suposto sacrílego. Foi o espanto geral entre os senadores: “Então porque se divorciou da sua mulher?”. A resposta tornou-se famosa: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita”.

(Fonte Wikipédia)

 

 

(Imagens dos adágios com DR)