O setor dos ginásios em Portugal está a viver um paradoxo: nunca cresceu tanto, mas nunca gerou tantas reclamações. Segundo o Barómetro do Setor dos Ginásios – 2025 e 1.º Quadrimestre de 2026, o número de queixas disparou quase 37% no início de 2026, revelando falhas estruturais na experiência do cliente.
Apesar de um mercado em expansão — com mais de 1.280 clubes, 780 mil membros e receitas de 345 milhões de euros — a insatisfação dos consumidores está a acelerar, sobretudo nas grandes cadeias de ginásios.
O estudo revela que muitos consumidores enfrentam obstáculos persistentes para cancelar adesões, sendo frequentes as denúncias de débitos diretos após pedidos de rescisão.
Cobranças e contratos lideram queixas
Mais de metade das reclamações estão relacionadas com questões financeiras e contratuais. Cobranças duplicadas, aumentos inesperados, seguros não comunicados e cláusulas pouco transparentes continuam a marcar a relação entre clientes e operadores.
A par disso, a qualidade do atendimento e a falta de resposta nos canais digitais agravam a perceção negativa.
Ginásios cheios, clientes frustrados
A forte adesão ao fitness está também a criar problemas dentro das próprias instalações. Sobrelotação, falta de máquinas e avarias em equipamentos e zonas de bem-estar tornaram-se motivos recorrentes de reclamação.
Nos segmentos premium, onde as mensalidades são mais elevadas, a tolerância a falhas é ainda menor, penalizando rapidamente a reputação das marcas.
Reputação online pode ditar o sucesso ou o fracasso
Num setor altamente dependente da proximidade, a reputação digital tornou-se decisiva. Mais de 85% dos consumidores consultam avaliações online antes de escolher um ginásio — e classificações baixas podem afastar até 87% dos potenciais clientes.
A acumulação de reclamações públicas está assim a transformar-se num risco financeiro direto para as marcas.
Enquanto os ginásios independentes mostram maior capacidade de adaptação e melhoria na satisfação, e os health clubs começam a recuperar indicadores em 2026, as grandes cadeias continuam sob maior pressão reputacional.
“O setor está a crescer acima da sua capacidade operacional, criando uma rutura entre a promessa comercial e a experiência do consumidor. O barómetro deixa um aviso claro: o crescimento acelerado não está a ser acompanhado por uma experiência de cliente à altura. Sem mudanças estruturais — nomeadamente na transparência contratual, qualidade operacional e gestão da relação com o cliente — o setor arrisca comprometer a sua sustentabilidade.”, analisa Pedro Lourenço, Fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust.
O Barómetro foi desenvolvido pela Consumers Trust Labs, hub de inteligência de dados da Consumers Trust, com base nas reclamações registadas entre janeiro de 2025 e abril de 2026 no Portal da Queixa.