Pobreza é «prioridade das prioridades»

 A pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, «reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País.

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  • 19:38 | Segunda-feira, 22 de Junho de 2020
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O presidente da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza, Pe. Jardim Moreira e Sebastião Feyo de Azevedo, reitor da Universidade Portucalense (em representação do Conselho Social Nacional da EAPN Portugal) encontraram-se no Palácio de Belém com o Presidente da República para lhe entregar uma “Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, onde  se sustenta que o combate à pobreza deve ser a “prioridade das prioridades” do País.

 O documento, redigido pelo Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti Pobreza, constituído por cidadãos que tem por objetivo defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades da EAPN no cumprimento da sua missão, visa conduzir a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza. Desde 2014 que a EAPN Portugal defende de forma bem alicerçada que Portugal adote uma Estratégia Nacional de Luta Contra a Pobreza, entendendo que a atual conjuntura é adequada à sua concretização.

A pandemia acentuou a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, «reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País. É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal – a prioridade das prioridades. Aliás, o esforço redistributivo da proteção social nos últimos anos conseguiu reduzir algumas desigualdades e é o sinal mais claro e evidente do caminho que deve ser trilhado e revigorado», lê-se no documento que sublinha: «segundo a OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades dos seus membros».

O documento que poderá ser subscrito on-line,  a partir da próxima sexta-feira, no site da EAPN Portugal, por todos os cidadãos, conta já com a assinatura dos seus mentores e associados do Conselho Social da Rede Europeia Anti Pobreza: Agostinho Jardim Moreira; Ana Flor; António Monteiro; Carla Feliciano; Carlos Maurício Barbosa; Carlos Silva; Guilherme Figueiredo; Guilhermina Maria Rego; João Pedro Tavares; José Antunes Calçada; José Leite Pereira; Luísa Valle; Manuel Barros; Manuel Fontes de Carvalho; Manuel Sobrinho Simões; Maria Amélia Ferreira; Maria Joaquina Madeira; Maria José Morgado; Mariana Pinto da Cruz; Miguel Pavão; Paula Guimarães; Pedro Barbas Homem; Ricardo Andrade Silva e Sebastião Feyo de Azevedo.

«Pensamos que não tem sido considerado que a pobreza tem causas multidimensionais, e não basta apenas uma resposta monetária. O conceito de pobreza multidimensional refere-se à experiência e ao impacto da pobreza no percurso de vida das pessoas. As pessoas experienciam a pobreza como uma série de privações, não apenas como ‘dinheiro insuficiente’ – ou outras coisas, mas experiências, oportunidades, serviços e ambientes que outras pessoas aceitam como normais. Estas privações podem incluir desemprego e baixa intensidade laboral, recursos financeiros, acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde, integração social, apoio familiar, condições de alojamento e residência. As pessoas em situação de pobreza também podem ser vítimas de estigma, vergonha, discriminação, isolamento e exclusão da vida social, consequências negativas de decisões restritivas ou de curta duração, pior saúde mental e física e uma esperança de vida mais reduzida» explica Jardim Moreira.

O documento apela a todos sem exceção que se se aja rapidamente, pois «a prazo, a pobreza matará também a Democracia», propondo 10 áreas de ação fundamentais e urgentes, independentemente dos ciclos políticos.

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