Esta mostra assinala a conclusão da primeira de três residências artísticas que compõem o ciclo White Box, um programa de criação contemporânea que se estenderá até 2028.
Com curadoria de José Maçãs de Carvalho, a exposição reúne obras originais de Daniela Krtsch, João Fonte Santa, Fabrizio Matos e Catarina Leitão. Os artistas trabalharam localmente na Serra do Caramulo, numa imersão directa nas colecções do museu para criar peças que estabelecem novas leituras sobre o acervo existente.
Segundo José Maçãs de Carvalho, “As peças originais que se apresentam, resultado de um período residencial, operam nos intervalos da linha narrativa da colecção permanente. Estes lugares intersticiais são preenchidos, por vezes, pela subtracção de peças do acervo, outras vezes pelo acréscimo de dispositivos de suporte. Certo é que, nos últimos meses, o Museu do Caramulo instalou-se na memória activa dos artistas convidados povoando a sua criatividade imaginativa.”

Um olhar contemporâneo sobre os Gabinetes de Curiosidades
O conceito de “White Box #1: Intervalos” foi buscar inspiração ao imaginário dos antigos Cabinet of Curiosities (Gabinetes de Curiosidades) dos séculos XVI e XVII. Estes espaços, precursores dos museus modernos, reuniam objectos raros e exóticos num exercício de fascínio e descoberta. É nesse espírito de multiplicidade e curiosidade que a exposição se inscreve, propondo um diálogo entre a criação actual e a história da catalogação artística.

O Ciclo White Box
O programa “White Box” sucede ao ciclo “Black Box”, desenvolvido entre 2017 e 2019 sob direcção de João Louro, e explora a noção museológica do “cubo branco” como um espaço de possibilidades infinitas. Durante este triénio, o museu disponibiliza áreas próprias para criação e exposição, reforçando o seu papel como centro activo de produção artística.
A exposição “White Box #1: Intervalos” estará patente até ao dia 8 de Agosto, convidando o público a descobrir como o acervo histórico do museu pode ser reinterpretado através de novas linguagens e formas de expressão contemporâneas.
(Fotos Pedro Vieira)