Com a pandemia e o ensino à distância pais passaram a dar mais valor ao papel do professor

Em relação às horas de estudo, 50% dos alunos passaram, em média, 2 a 4 horas, e 28% 4 a 6 horas em atividades escolares, num registo de ensino à distância. Mas 15% dos pais afirmam que os educandos não tiveram todas as disciplinas durante esse período, como foi o caso de expressão física ou motora, expressões artísticas, educação para a cidadania, ciências exatas e língua materna.

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  • 18:49 | Quinta-feira, 08 de Outubro de 2020
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A Escola Amiga da Criança, em parceria com a Católica Porto Business School e a Faculdade de Psicologia da Universidade Católica do Porto, desenvolveu o Estudo “Escola Amiga: o Papel da Escola e dos Educadores”, com o objetivo de dar a conhecer a perceção de encarregados de educação sobre a Missão da Escola em tempos de Covid-19.

Vivemos perante tempos diferentes, face a uma pandemia, em que escola, professores, pais e também alunos, se viram perante uma situação nunca antes vivida: o ensino à distância. Durante a quarentena e as aulas, muitos pais tiveram que assumir o papel dos professores, ainda que sem nunca os substituir, as escolas tiveram que se adaptar ao digital de um dia para o outro e as crianças adaptaram-se a esta nova realidade com a resiliência que lhes é característica. Tudo isto tão repentinamente que não deu tempo para grandes preparações.

O Estudo “Escola Amiga: o Papel da Escola e dos Educadores” contou com a participação de mais de 23.000 pais que deram a sua opinião sobre aspetos tão importantes como:


O tempo que os alunos tiveram de Ensino à Distância e o impacto do mesmo na rotina diária.

A autonomia dos alunos na realização das atividades escolares

As principais dificuldades dos alunos durante este período.

O papel dos professores.

A adequação do currículo.

A necessidade de novas formas de acesso ao Ensino Superior.

 

Este estudo teve como objetivos principais:

Aferir como é percecionada pelos Pais a Missão da Escola no contexto atual.

Avaliar o grau de autonomia percecionado pelos Pais sobre os seus educandos.

Saber a capacidade e disponibilidade que os Pais tiveram em apoiar os seus educandos.

Saber qual é a perceção dos Pais acerca da importância dos docentes no contexto atual.

Perceber qual a opinião dos Pais sobre a forma de acesso ao Ensino Superior.

 

Principais conclusões:

A perceção dos Encarregados de Educação sobre qual o papel da Escola, do Professor e do aluno na era Covid -19, regista que a pandemia fez com que a missão dos professores e da própria escola passasse a ser, claramente, mais valorizada. Talvez porque a quarentena tenha levado os pais a conhecer o papel do professor mais de perto, os pais consideram que o professor se revelou determinante na aprendizagem dos seus educandos (valor de 4,54 numa escala de 5). Tendo, igualmente, referido que, durante o período de pandemia, a comunicação com os professores foi regular e contínua (valor de 4,07 numa escala de 5).

Durante os segundo e terceiro períodos do último ano letivo, a principal missão da escola, aos olhos dos pais, continua a ser transmitir conhecimento. A preponderância da escola na educação física continua a ser o aspeto menos valorizado pelos pais, independentemente do ano de escolaridade. Mas a importância da escola na valorização dos aspetos emocionais dos seus filhos, tornou-se, no ensino secundário, o segundo aspeto mais determinante, aos olhos dos pais.

Em relação às horas de estudo, 50% dos alunos passaram, em média, 2 a 4 horas, e 28% 4 a 6 horas em atividades escolares, num registo de ensino à distância. Mas 15% dos pais afirmam que os educandos não tiveram todas as disciplinas durante esse período, como foi o caso de expressão física ou motora, expressões artísticas, educação para a cidadania, ciências exatas e língua materna.

Já do lado dos pais, durante a quarentena, 40% dedicaram 1 a 2 horas do seu dia para apoiarem os filhos. E 26% mais de 2 horas. O apoio que os pais conseguiram prestar às atividades escolares “escondeu” várias dificuldades: a falta de tempo para conciliar com todas as outras tarefas que tinham à sua responsabilidade (27%); o cansaço e a falta de disponibilidade mental (19%); a dificuldade em conciliarem o apoio aos filhos com o teletrabalho (15%); e o modo como se tornava difícil conciliar as necessidades dos seus diversos filhos, com todos os outros compromissos que concorriam com eles (15%).

Em relação à autonomia nos estudos, 77% dos pais considera que os seus filhos estão entre o “moderadamente autónomo” e o “muito autónomo” na realização das tarefas escolares, durante este período. No entanto, será uma “falsa autonomia”, uma vez que 45% dos Encarregados de Educação afirma que os seus educandos precisam frequentemente de um adulto para a realização de tarefas. E 31% considera que os educandos tomam a iniciativa da realização das atividades escolares e vão realizando as tarefas por si, aguardando sempre a supervisão final por parte de um adulto.

As maiores dificuldades identificadas pelos pais na realização dos trabalhos escolares dos seus filhos foram a interpretação e a compreensão das tarefas que lhes eram atribuídas.

Finalmente, a esmagadora maioria dos pais entende, finalmente, que serão necessárias novas soluções para o acesso ao ensino superior. Em relação às formas de acesso ao ensino superior, 86% dos pais consideram ser necessárias novas soluções para esse problema.

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