Estudei H. Bröch e a trilogia de “Os Sonâmbulos” com a germanófila e grande mestra, Filomena Mölder, professora da Universidade Nova, que regia um seminário, no final dos anos 90, na FLUL, intitulado “Ornamento e Estilo” (até o tema era chamativo…).
As suas longas prelecções de 3 horas, passadas a correr, eram um estímulo sublime à descoberta e criação. Incarnação da magistralidade literal.
Vem este apontamento a propósito das minhas persistentes arrumações com destruição de quilos de papéis e de um artigo reencontrado e a caminho do lixo que publiquei na revista do IPV, Millenium (Ano 6, Nº 25) intitulado “Huguenau ou o Realismo, Hermann Bröch – O contraponto romanesco: sua ausência ou presença?”
Um bom tempo de escrita descontaminada, de investigação, análise e encasulamento estético.
Em simultâneo, ao reler em diagonal o texto, reganho-lhe o interesse quando o homem é colocado perante um mundo em processo de degradação de valores, e deles liberto, assumirá o paradigma da “liberdade”, na irracionalidade e ausência de fé. Então, o homem, inculpabilizável, é perigoso e feliz.
É este ainda o homem da 2ª década do século XXI. Persistente e arrogante na sua contumaz forma de errar.
Bom, moral da história… Não se devem fazer arrumações pela aurora nem profanar as folhas que dormem sonos de mais de duas décadas. Há sempre o risco de degenerar em arengas deste teor.
As minhas desculpas.
Asinho me remato e vou-me à 2ª malga do café, combustível que, como o outro, aumenta todos os dias enquanto o preço do barril de petróleo quase chapinha na pré-indigência do paradoxal low-cost… o que, paradoxalmente, nada significa para os consumidores.
E por falar nisso…
Somos todos burros e só eles, cada vez mais nédios e luzidios, perante a impavidez geral, são os tipos inteligentes, felizes por destruir a economia com o aumento generalizado e decorrente da sua imparável ganância.