Questões fraturantes que limites?

Podemos ainda referir outras questões, que ciclicamente são trazidas à colação, o racismo, os descobrimentos, os direitos dos animais ou ainda o princípio da não criminalização retroativa.

Tópico(s) Artigo

  • 10:51 | Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021
  • Ler em 2 minutos

A nossa sociedade tem sido confrontada com um conjunto de alterações que a têm, de algum modo, colocado à prova.

As pessoas viram ser questionadas atitudes e comportamentos que punham ou põem em causa valores tidos, até há pouco, como indiscutíveis.

São as chamadas questões ou temas fraturantes.


Têm em comum o tocarem de forma transversal e nada homogénea partidos, grupos sociais, religiões.

Sem ser exaustivo, podem referir-se o aborto, a eutanásia, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, maternidade de substituição, adopção de crianças por homossexuais, procriação medicamente assistida.

Podemos ainda referir outras questões, que ciclicamente são trazidas à colação, o racismo, os descobrimentos, os direitos dos animais ou ainda o princípio da não criminalização retroativa.

Todas estas questões desembocam em conflitos entre visões religiosas e visões laicas, entre visões humanistas e anti-humanistas, entre as visões de uns e de outros.

Quando se legisla sobre estas questões é pertinente saber se basta a regra da maioria para aprovar uma regulação jurídica nestas matérias.

Quando se apresentam propostas de legislação nestas áreas não se está a impor uma mundividência em prejuízo de outras?

É isso legítimo?

Isso respeita “o outro”?

Respeita as outras formas de ver e compreender o mundo?

É bom lembrar que a legitimidade de legislar impõe que se faça a justiça devida a todos os membros da sociedade e não da imposição a todos de uma qualquer mundividência.

Depois há que ter em conta que as alterações legislativas ou de conceitos assumidos podem mudar de destinatários.

É o que em algumas circunstâncias já assistimos com a chamada “lei das quotas”. Começou para garantir a eleição de mulheres e agora começa a ser a garantia de eleição do género masculino.

Outras vezes o novo “socialmente aceitável” gera novas formas de discriminação, geralmente em espelho.

É o que se verifica com a condenação da homofobia que está a propiciar situações de verdadeira “heterofobia”.

Tudo isto releva na essencialidade de ser imperativo o total respeito pelo “outro” ou “outros”.

 

Gosto do artigo
Palavras-chave
Publicado por