Aproprio-me da expressão de Hannah Arendt para dar o pontapé de saída desta minha coluna, porque foi depois de ler “A Condição Humana” que o apelo à acção surgiu. Os textos que aqui escreverei partirão de um pensamento político e crítico, tendo a simples questão “Porquê?”, como base.
Há algo profundamente inquietante em viver numa época em que a tecnologia e os algoritmos parecem decidir por nós. As redes sociais escolhem o que lemos, as plataformas de streaming determinam o que vemos e o que ouvimos, e as notícias chegam-nos já filtradas por critérios que desconhecemos. Tudo parece pré-determinado, como se fôssemos meros espectadores de um script já escrito. Mas, como nos lembra Arendt, a verdadeira condição humana reside na capacidade de romper com essa passividade. “Toda a vez que alguém age, algo que não existia antes passa a existir“. Essa ideia não é apenas um convite à acção mas, uma declaração de poder porque cada um de nós tem a capacidade de iniciar algo novo.

Para combater este estado constante de alienação, precisamos de parar, refletir e questionar: “Porquê?”. Porque o perigo de não pensar é aceitarmos passivamente o que nos é apresentado, seja uma notícia falsa, um comportamento de manada ou uma decisão política. Quando deixamos de questionar, deixamos de existir enquanto seres políticos e agentes de mudança.
Ao longo das crónicas que escreverei, espero contribuir para a construção de um mundo comum, onde cada um de nós se sinta capaz de pensar e agir. O pontapé de saída está dado.
Ana Cristina Fernandes
Designer. Crio marcas e dois filhos. Sou eclética e múltipla e, gosto de saber muito, sobre muita coisa.
