Pensar e Agir

Há algo profundamente inquietante em viver numa época em que a tecnologia e os algoritmos parecem decidir por nós. As redes sociais escolhem o que lemos, as plataformas de streaming determinam o que vemos e o que ouvimos, e as notícias chegam-nos já filtradas por critérios que desconhecemos.

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  • 18:25 | Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026
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Aproprio-me da expressão de Hannah Arendt para dar o pontapé de saída desta minha coluna, porque foi depois de ler “A Condição Humana” que o apelo à acção surgiu. Os textos que aqui escreverei partirão de um pensamento político e crítico, tendo a simples questão “Porquê?”, como base.

Há algo profundamente inquietante em viver numa época em que a tecnologia e os algoritmos parecem decidir por nós. As redes sociais escolhem o que lemos, as plataformas de streaming determinam o que vemos e o que ouvimos, e as notícias chegam-nos já filtradas por critérios que desconhecemos. Tudo parece pré-determinado, como se fôssemos meros espectadores de um script já escrito. Mas, como nos lembra Arendt, a verdadeira condição humana reside na capacidade de romper com essa passividade. “Toda a vez que alguém age, algo que não existia antes passa a existir“. Essa ideia não é apenas um convite à acção mas, uma declaração de poder porque cada um de nós tem a capacidade de iniciar algo novo.

 


N’ A Condição Humana, Arendt alertava que o mundo moderno nos afastava da capacidade de pensar e agir de forma consciente. Nessa altura, o Sputink I tinha sido lançado, a industrialização estava consolidada e o mundo apanhava os cacos deixados pela 2ª Guerra Mundial, a tecnologia e a rotina tinham aqui os primeiros sintomas de irreflexão, reduzindo o ser humano a simples executores de tarefas. Hoje, em 2026, esse cenário agravou-se. Os algoritmos não têm ética, nem valores, não sabem o que é justo ou injusto, bom ou mau… mas, nós humanos temos o dever de fazer essas distinções.

Para combater este estado constante de alienação, precisamos de parar, refletir e questionar: “Porquê?”. Porque o perigo de não pensar é aceitarmos passivamente o que nos é apresentado, seja uma notícia falsa, um comportamento de manada ou uma decisão política. Quando deixamos de questionar, deixamos de existir enquanto seres políticos e agentes de mudança.

Ao longo das crónicas que escreverei, espero contribuir para a construção de um mundo comum, onde cada um de nós se sinta capaz de pensar e agir. O pontapé de saída está dado.

 

Ana Cristina Fernandes

Designer. Crio marcas e dois filhos. Sou eclética e múltipla e, gosto de saber muito, sobre muita coisa.

 

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Publicado em Opinião