Pão e circo

Parece que duas estações televisivas resolveram afastar da sua grelha os programas de futebol com a presença de comentadores assumidamente identificados com os ditos "3 grandes". Porta-vozes dos seus clubes, quase sempre diziam o que lhes mandavam dizer, defendendo o indefensável, invariavelmente puxando a brasa à sua sardinha.

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  • 10:33 | Sexta-feira, 31 de Julho de 2020
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Ora aí está uma decisão sensata, rara na comunicação social, sempre ávida de audiências, mesmo sacrificando o que devem ser os seus principais objectivos, imparcialidade, rigor e qualidade.

Parece que duas estações televisivas resolveram afastar da sua grelha os programas de futebol com a presença de comentadores assumidamente identificados com os ditos “3 grandes”. Porta-vozes dos seus clubes, quase sempre diziam o que lhes mandavam dizer, defendendo o indefensável, invariavelmente puxando a brasa à sua sardinha. Não havia critério nem medida. Alguns até se davam à verdade de reconhecer que nada percebiam de futebol. Pela parcialidade das suas intervenções, pela rivalidade doentia que provocavam, exacerbavam o ânimo dos adeptos acéfalos, contribuindo para a violência nos estádios. Uns tantos, eram, mesmo assim, cordatos e discretos, outros, uns broncos que nem sabiam falar português escorreito e enxuto, envergonhando Aquilino e Pessoa. Mas como eram uns labregos capazes de largar umas alarvices e isso trazia músculo e nervo aos programas, eram elevados à condição de especialistas pelos editores que os convidavam. Apesar de tornarem o ar irrespirável, dada a toxicidade do que estupidamente verbalizavam. Ganhando bem, e sem escrutínio, não saíam das cadeiras e, por sua vontade, fossilizavam em frente às câmaras. Paineleiros ou cartilheiros, na sua esmagadora maioria era gente que defendia a sua dama sem escrúpulos e com desfaçatez.

Fizeram bem em acabar com estes serões deprimentes. Como o bem não é bem que dure, logo uma concorrente decidiu alargar os programas diários que já tinha, amplificando o erro e aumentando o sangue que se solta das opiniões assanhadas de alguns vaidosos.

Resta esperar o que vai fazer a estação do Estado, paga com o dinheiro de todos nós, e a quem cabe prestar o serviço público de televisão. De preferência, com excelência. Se forem capazes… Mas desde que o pão não falte na mesa e o circo se mantenha firme, serenemos. O povo continuará manso…e ocupado.

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