Os subsídios malparados

Não seremos uma enxúndia, mas somos seguramente um poiso de alcoviteiras, um cortejo de carpideiras e uma central de subsídios.

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  • 15:39 | Segunda-feira, 18 de Maio de 2026
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Por razões da vida que não são para aqui chamadas, constato que muitas pessoas que auferem o subsídio de desemprego, que pode ir até quase 2 anos, confrontadas com ofertas de emprego a pagarem valor equivalente àquele apoio, preferem ficar em casa.

Sentadas nessa almofada de conforto, rejeitam trabalho, só porque sim, isto é, só porque não é vantajoso para as suas vidas. Preferem receber o subsídio de desemprego e irem fazendo uns trabalhos paralelos que lhes dão outro tanto. Mesmo baixos, dois vencimentos. Talvez que dois juntos não igualem um dos mais altos. Mas será isto justo?

Julgando bem, talvez não. Assim, não deixa de ser um convite à inércia. Assim como assim, é melhor ficar quedo e mudo. Ao Estado, apegado a estatísticas, também interessa este simulacro de decência.

De igual modo, o o Rendimento Social de Inserção (RSI). Não é muito, mas conjugado com biscates vai dando para quem vive sem viver. Custa vê-los na esplanada, mastigando torradas e biscoitos. E bebendo bebidas brancas, o odre a encher e a ganhar volume.


Talvez fosse avisado que o Estado, em vez de apenas distribuir, também fiscalizasse, colocando na rua muitos teóricos que se alapam nos gabinetes, bem-falantes, sem nada fazerem de realmente produtivo. O Estado, central e local, é o pior de todos nós, o reflexo dos nossos males de origem. Vesgos. Tolerante e poroso aos pequenos vícios que emperram a máquina e dão má imagem ao que é público. Condescendente perante o laxismo e a preguiça. Tutela do malfazer.

Enquanto Bruxelas traçar o nosso futuro e decidir sobre as nossas vidas despejando euros em nome de políticas questionáveis; enquanto a fonte não secar, o clima é de mãos largas e nenhum controlo. Governar, em função dos ciclos eleitorais, é o que dá. Pouco critério e um défice de rigor. A coesão social não se constrói deste modo torto e sinuoso. E o futuro não se traça com políticas simpáticas e nada monitorizadas.

Não seremos uma enxúndia, mas somos seguramente um poiso de alcoviteiras, um cortejo de carpideiras e uma central de subsídios.

A este nível já basta de bagunça e falta de regra. Basta de permissividade e do jogo do faz-de-conta. Haja músculo e nervo para haver moral e justiça, que por vezes não combinam.

Rebelo Marinho

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Publicado em Opinião