Por razões da vida que não são para aqui chamadas, constato que muitas pessoas que auferem o subsídio de desemprego, que pode ir até quase 2 anos, confrontadas com ofertas de emprego a pagarem valor equivalente àquele apoio, preferem ficar em casa.
Julgando bem, talvez não. Assim, não deixa de ser um convite à inércia. Assim como assim, é melhor ficar quedo e mudo. Ao Estado, apegado a estatísticas, também interessa este simulacro de decência.
De igual modo, o o Rendimento Social de Inserção (RSI). Não é muito, mas conjugado com biscates vai dando para quem vive sem viver. Custa vê-los na esplanada, mastigando torradas e biscoitos. E bebendo bebidas brancas, o odre a encher e a ganhar volume.
Talvez fosse avisado que o Estado, em vez de apenas distribuir, também fiscalizasse, colocando na rua muitos teóricos que se alapam nos gabinetes, bem-falantes, sem nada fazerem de realmente produtivo. O Estado, central e local, é o pior de todos nós, o reflexo dos nossos males de origem. Vesgos. Tolerante e poroso aos pequenos vícios que emperram a máquina e dão má imagem ao que é público. Condescendente perante o laxismo e a preguiça. Tutela do malfazer.
Não seremos uma enxúndia, mas somos seguramente um poiso de alcoviteiras, um cortejo de carpideiras e uma central de subsídios.
A este nível já basta de bagunça e falta de regra. Basta de permissividade e do jogo do faz-de-conta. Haja músculo e nervo para haver moral e justiça, que por vezes não combinam.
Rebelo Marinho