Os nossos emigrantes

Segundo os últimos dados (Observatório da Emigração), Portugal tem 11,42 milhões de cidadãos a residir no nosso território e 2,1 milhões de portugueses emigrados (nascidos em Portugal) e tem, segundo o INE, 1,6 milhões de imigrantes.

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  • 12:51 | Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026
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O mês de Agosto acolhe os milhares de portugueses emigrados por essa Europa fora.

Vêm todos os anos em Agosto, a matar saudades da sua terra, a visitar a família e os amigos, a arejar as suas casas, onze meses fechadas, a tratar de assuntos burocráticos, a fazer as suas romarias, a passar uma semana na praia, a visitar o seu país…

São sempre bem-vindos e é um gosto rever amigos de outrora por essas vilas e aldeias que se enchem de animação, de cor, de alegria, de dinamismo, de movimento, de línguas estrangeiras faladas pela 2ª e 3ª geração de filhos de emigrantes, já nascidos nos países que os acolheram, sem renegarem a costela lusíada. Ouve-se falar o francês, o alemão, o inglês, numa mescla de poliglotismo e animada convivialidade.


Lá fora, os onze meses de trabalho, regra geral, são pesados. Há que espairecer nestes trinta dias, que são sempre parcos para retemperar das laboriosas fainas.

Segundo os últimos dados (Observatório da Emigração), Portugal tem 11,42 milhões de cidadãos a residir no nosso território e 2,1 milhões de portugueses emigrados (nascidos em Portugal) e tem, segundo o INE, 1,6 milhões de imigrantes.

Na Europa, os portugueses centram-se na França, Suíça, Reino Unido, Espanha e Alemanha. São cidadãos com uma capacidade de trabalho muito apreciada, com muita facilidade de integração e até de aculturação.

Se juntarmos a estes emigrantes os luso-descendentes, teremos mais de 30 milhões espalhados pelo mundo, o que é um número francamente espantoso.

Ninguém emigra por gosto. Quando a pátria é avara, há que ter a força, a coragem, a resiliência, o inconformismo de ir fora procurar o que por cá é negado: o trabalho condignamente retribuído, com condições laborais e salários justos.

A capacidade dos nossos emigrantes, o seu empenho, a sua competência, de muitos, alguns anos volvidos, faz de assalariados prósperos patrões, tornados empregadores dos autóctones.

A diáspora, esta dispersão pelo mundo, contribuiu amplamente para fortalecer as economias dos países de acolhimento, sendo lamentável que Portugal nunca tenha sabido reverter essa situação e potenciar essa dinâmica capacidade de trabalho assim desbaratada.

Ademais, num país em que a demografia tem acentuados valores negativos, com uma elevada taxa de envelhecimento e uma baixa taxa de natalidade, perspectivando-se um cocktail explosivo a médio prazo…

Segundo dados actuais, há em Portugal 190 idosos por cada 100 jovens. Jovens esses que cada vez mais vão procurar lá fora o que cá não lhes é facultado, principalmente jovens licenciados nos quais Portugal investiu milhões na formação superior e que, de seguida, esbanja e desperdiça pela falta de receptividade e atractividade do nosso mercado de trabalho.

Portugal tem gravíssimas lacunas a nível laboral, a nível de habitação, de saúde…  A política neoliberal não valoriza esses jovens, não cria condições para o aumento da natalidade, não reconhece salarialmente as suas competências. Lá fora, em contrapartida, recebem-nos de braços bem abertos. Colhem sem investir… e isso, a breve trecho, será dramático para a economia nacional.

 

 

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Publicado em Opinião