O mês de Agosto acolhe os milhares de portugueses emigrados por essa Europa fora.
Vêm todos os anos em Agosto, a matar saudades da sua terra, a visitar a família e os amigos, a arejar as suas casas, onze meses fechadas, a tratar de assuntos burocráticos, a fazer as suas romarias, a passar uma semana na praia, a visitar o seu país…
São sempre bem-vindos e é um gosto rever amigos de outrora por essas vilas e aldeias que se enchem de animação, de cor, de alegria, de dinamismo, de movimento, de línguas estrangeiras faladas pela 2ª e 3ª geração de filhos de emigrantes, já nascidos nos países que os acolheram, sem renegarem a costela lusíada. Ouve-se falar o francês, o alemão, o inglês, numa mescla de poliglotismo e animada convivialidade.
Lá fora, os onze meses de trabalho, regra geral, são pesados. Há que espairecer nestes trinta dias, que são sempre parcos para retemperar das laboriosas fainas.
Segundo os últimos dados (Observatório da Emigração), Portugal tem 11,42 milhões de cidadãos a residir no nosso território e 2,1 milhões de portugueses emigrados (nascidos em Portugal) e tem, segundo o INE, 1,6 milhões de imigrantes.
Na Europa, os portugueses centram-se na França, Suíça, Reino Unido, Espanha e Alemanha. São cidadãos com uma capacidade de trabalho muito apreciada, com muita facilidade de integração e até de aculturação.
Se juntarmos a estes emigrantes os luso-descendentes, teremos mais de 30 milhões espalhados pelo mundo, o que é um número francamente espantoso.
A capacidade dos nossos emigrantes, o seu empenho, a sua competência, de muitos, alguns anos volvidos, faz de assalariados prósperos patrões, tornados empregadores dos autóctones.
A diáspora, esta dispersão pelo mundo, contribuiu amplamente para fortalecer as economias dos países de acolhimento, sendo lamentável que Portugal nunca tenha sabido reverter essa situação e potenciar essa dinâmica capacidade de trabalho assim desbaratada.
Ademais, num país em que a demografia tem acentuados valores negativos, com uma elevada taxa de envelhecimento e uma baixa taxa de natalidade, perspectivando-se um cocktail explosivo a médio prazo…
Portugal tem gravíssimas lacunas a nível laboral, a nível de habitação, de saúde… A política neoliberal não valoriza esses jovens, não cria condições para o aumento da natalidade, não reconhece salarialmente as suas competências. Lá fora, em contrapartida, recebem-nos de braços bem abertos. Colhem sem investir… e isso, a breve trecho, será dramático para a economia nacional.