Celebraram-se hoje na Assembleia da República os 50 Anos da Constituição da República Portuguesa.
Como já não é de estranhar, a cerimónia ficou “inquinada” por duas intervenções, a de Paulo Núncio, do CDS-PP e a de André Ventura, do Chega.
Paulo Núncio, um dos quatro deputados eleitos a reboque do PSD e da AD – sem a qual não existiriam – tem-se vindo a fazer notar pelo panegírico subserviente e constante ao governo vigente e pelas suas posições radicais, que a extrema direita muito aplaude.
Na nossa óptica e opinião, fez hoje uma triste figura, cavalgando sem estilo a onda do populismo, agora tão na crista da onda.
Ventura, o líder do Chega com quem o PSD e o CDS parece terem-se finalmente mancomunado, numa relação de facto que não tardará a redundar em “violência doméstica”, provando à evidência que o rotundo e enfático “não é não!” de Montenegro era mera balela “pour épater le bourgeois”, esteve igual a si mesmo: inflamado num berreiro histriónico, grosseiro nas suas afirmações, repetindo-se como se de um disco riscado se tratasse, no papel recorrente de um Calimero, vítima do sistema e demagógico até à saciedade, populista de acordo com a sua matriz ideológica, a falar de bombas e bombistas, sem olhar para algumas das “venerandas” figuras da sua bancada e insultando os Deputados da Constituinte, convidados pelo presidente da AR – que uma vez mais comprovou não ter mão para dirigir o debate – os quais, ofendidos e repugnados, se levantaram e saíram enquanto a ejaculatório de Ventura durou.
Salvou-se a cerimónia por dois ou três discursos, com destaque para o do Presidente da República, António José Seguro.