Ele foi a piscina que se quis crer que era um tanque de rega, ele foi a empresa escondida da esposa, ele é os bidões com amoníaco, ele foi o atrelado da droga, que a Marinha exigiu que fosse retirado da sua propriedade por risco de explosão, ele foi a empresa de Barcelos a quem foi confiada a patriótica responsabilidade, ele foi a empresa do Minho não ter alvará.
Uma trapalhada de amadores ou de quem se julga impune ou a viver numa bolha. Ele tornou-se uma pessoa com a qual não queremos ter nada a ver.
A história das facturas não passa disso mesmo: histórias. As facturas mostram apenas o que se quer revelar e mostrar. E isso é insignificante. O que verdadeiramente importa é o “modus operandi“, o facilitismo, a desfaçatez.
Ninguém, seja lá ele quem for, e onde for, que mexa em dinheiros públicos, muitos ou poucos, se pode permitir estas atitudes lamacentas. Não basta ser sério, é preciso também parecê-lo. E isso encontra-se nos detalhes, detecta-se nos pormenores.
O ministro, com ar gingão, de dedo em riste e nariz empinado, dissolveu-se. Luís Neves, o “sheriff”, perdeu a autoridade como político que não sabe ser, e a credibilidade como ex-polícia que julgávamos à prova de bala.
Não importa se fica ou se sai, continuar ou abandonar é só uma questão de oportunidade política. O certo é que, se houver critério e bojo institucional, sairá na próxima remodelação.
Mas até lá, já não será ministro, fará de conta que sim, que governa, mas será, já é, uma estátua de cera a derreter-se. Apenas um figurante que encontra em Fernando Alexandre o par ideal para o último tango.
Rebelo Marinho