O caldeirão de fel

Trump quer salões de baile, campos de golfe e o petróleo de terceiros, enquanto a China fabrica mísseis nucleares capazes de arrasar cidades norte-americanas num piscar de olhos.

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  • 15:51 | Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026
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Com a apropriação (expropriação ?!) do petróleo venezuelano, os Estados Unidos clarificaram os intentos da sua investida contra um país soberano.

O secretário de Estado da energia, Chris Wright, com o paternalismo habitual “made in USA” assinou um acordo de concessão de 17 campos petrolíferos, numa espécie de regime leonino de comodato por 100 anos. Na nova empresa, os Estados Unidos deterão 35% do capital social e terão poder de veto no seu Conselho de Administração.

A actual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, completamente rendida ao “charme” do Tio Sam, está felicíssima, enquanto Wright doira a pílula dizendo que vai gerar muita riqueza – não especifica para quem – e criar muito emprego.


Barthes, o semiólogo, está sempre actual quando fala nos políticos e na sua vil necessidade de dar caução nobre aos mais cínicos reais.

Entretanto, Donald Trump, nos intervalos da sua recorrente sonolência, vai-se divertindo a mudar o nome das geografias seculares, como agora com a unilateral mudança toponímica do Lago Ontario, para Lago América, e fica felicíssimo como se brincasse com um lego…

A Alemanha, e não só, por seu turno, tem sido alvo de ataques cirúrgicos e pontuais a instalações suas de referência. Acusa a Rússia de estar por trás dessas investidas. De Putin tudo é possível vir, ademais quando se sente acossado. Ele, que encarna a verdadeira matriz da imperial ganância e da inenarrável insânia.

Na China, nascem os silos de abrigo a mísseis balísticos intercontinentais nos desertos de noroeste, contendo armamento nuclear de longo alcance.

Até parece (???) que a China se prepara sem alardes nem fanfarronices para uma guerra global de consequências devastadoras.

Enquanto uns brincam outros, discretamente, vão agindo, fazendo-nos lembrar a fábula da formiga laboriosa e da cigarra festaroleira.

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
– “No verão em que lidavas?”
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: – “Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.”
– “Oh! bravo!”, torna a formiga.
– “Cantavas? Pois dança agora!”

Trump quer salões de baile, campos de golfe e o petróleo de terceiros, enquanto a China fabrica mísseis nucleares capazes de arrasar cidades norte-americanas num piscar de olhos. No intervalo, a fortuna pessoal do Capitão América e de seus próximos aumenta desmesuradamente a cada dia que passa, no mais inadmissível acto de corrupção institucionalizada jamais visto… com os deslumbrados Republicanos a aplaudir.

Estranho mundo este onde a Verdade foi apagada, os princípios éticos e morais descartados, as novas tecnologias a dominarem e a Democracia completamente arrasada por todo o globo, pelos pululantes movimentos da mais perigosas facções, acordados da sua longa hibernação de décadas.

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Publicado em Opinião