I(NATO)

O discurso é tão alucinado que quem nos exige isso, quem nos convence de que estamos cercados de inimigos, vai logo a seguir apertar a mão ao dito, nas horas vagas do tempo em que está entretido a apoiar o amigo que arrasa tudo, gente, história e ambiente, no médio oriente.

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  • 11:27 | Quarta-feira, 08 de Julho de 2026
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Por estes dias a OTAN/NATO, reúne-se na Turquia porque a psicopatia, aparentemente, tomou conta de nós. Aparentemente os distúrbios antissociais, o egocentrismo atroz, a impulsividade e instabilidade, fazem escola entre os líderes mais poderosos e levam-nos a acreditar que “os russos vêm aí para nos matar”. Por esse razão é preciso gastar, gastar mais, gastar (para já) cinco por cento do PIB para “nos defendermos”.

O discurso é tão alucinado que quem nos exige isso, quem nos convence de que estamos cercados de inimigos, vai logo a seguir apertar a mão ao dito, nas horas vagas do tempo em que está entretido a apoiar o amigo que arrasa tudo, gente, história e ambiente, no médio oriente. Ali, aparentemente, a humanidade extinguiu-se com o nascimento de Jesus Cristo. Quem por ali mora neste momento não merece compaixão, nem as civilizações milenares daquela região merecem admiração e respeito. O compatriota de Jeroen Dijsselbloem, que nos tentou ofender porque “gastamos tudo em mulheres e vinho”, opta, enquanto secretário-geral da NATO, por nos demonstrar que, de forma inata, se dedica a essa nobre arte da ourivesaria, produzindo deslumbrantes alfinetes de peito, artifícios que, aliás, são umas das mais famosas marcas de Amsterdão.

 

Vamos, portanto, a reboque desta ilusão, gastar o que não temos, deixar de financiar o Estado Social, criar tensões sociais, aumentar a pobreza, descurar (ainda mais) o combate aos problemas ambientais, a reboque de um discurso ilusório, totalmente alucinado e que vai, isso sim, confirmar o declínio europeu para alimentar a indústria militar americana (Rutte dixit).


Isto numa semana em que, aqui na Região, em apenas dois dias, foram obliterados 15 mil hectares de paisagem na Serra do Caramulo, matando fauna e flora em Vouzela, Oliveira de Frades, Tondela e Águeda, algo que, não é, infelizmente, tão excepcional quanto isso. É assinalável que, face a esta ameaça, concreta, palpável, desoladora, se opte por não investir neste combate e nos entretenhamos a ver o catálogo dos F35 e afins.

Não é preciso ser um genial estratega, especialista em geopolítica, geoestratégia, geocenas, daqueles que nos encharcam as televisões, para saber que um inimigo de Portugal, que nos queira mal, destruir e deixar fora de jogo, pouco mais precisará de fazer, face aos cada vez maiores efeitos das alterações climáticas, do que distribuir meia-dúzia de isqueiros por outra meia-dúzia de agentes infiltrados.

Mas optemos por sonhar com inimigos imaginários enquanto desvalorizamos os já instalados e activos.

 

Alexandre Borges

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Publicado em Opinião