Anunciou-se livre de amarras e não capturável por interesses, independentemente da sua natureza ou propósito. Importa verdadeiramente que seja assim. É impositiva a promessa, sem margem para escapatórias. É tal a expectativa, diria a esperança luminosa, que não há lugar a um “mas”.
A presidência não pode ser uma coutada dos partidos, um feudo das suas estratégias, um caldo dos seus ardis, uma compensação para os seus dissabores, uma colocação para os excluídos, uma aposentadoria dourada das suas ex-lideranças.
A presidência tem de ser um lugar limpo, higiénico e inspirador.
Marcelo vulgarizou o cargo, banalizou o seu exercício, tirou-lhe brilho, apeou-o da visão inspiradora que ele interpreta em suave carrego.
É obrigatório, urgente, um refrescamento no Palácio de Belém. Rostos, práticas, palavras, “modus operandi”. O fim das “selfies”, uma artificialidade que se tornou uma pirosice nacional, todos a convergirem para o inquilino de Belém como crianças para o homem da bolacha americana. E as escolhas. Os novos conselheiros de Estado sinalizarão muito do que aí virá. Também longe das prisões partidárias e do séquito submisso e domesticado, e não obrigatoriamente oriunda da política, há gente boa, com cabeça, que pensa bem Portugal. É avisado que fique de fora o exército das “consciências” e das “reservas” socialistas, que deram muito ao partido, que ganharam em igual proporção – currículo, fama e proveito -, mas estão fora do prazo de validade. Este já não é o seu tempo. Capturados por uma visão ultrapassada da “res publica” são passado. Anquilosados, engelhados, enrugados, podem opinar, é sempre bom saber como foi, mas basta. Mais do que isso é favor, condescendência.
Portugal precisa de quem acrescente valor, de quem ajude a resolver, de quem faça a diferença, não de quem estorve, de quem empecilhe, de quem tartamudeie, de quem claudique.
Rebelo Marinho
Escritor