Em Israel, o presidente Isaac Herzog deu luz verde ao candidato e antigo chefe de Estado militar, o general Gadi Eisenkot, do partido “Yashar”, para a formação do novo governo.
Para o efeito, terá 28 dias, passados os quais, sem o conseguir, Herzog encarregará o outro candidato, Benjamin Netanyahu, líder do partido de direita e de extrema-direita, o Likud, de o fazer. O que não é suposto acontecer, pois, não obstante as eleições de Outubro não lhe terem atribuído uma vitória clara, a qual pelo número de votos pertenceria ao anterior primeiro-ministro, este não conseguiu o consenso traduzido em votos e alianças do parlamento, a Knesset, granjeando os votos dos partidos árabes, 19, perdendo por 46 contra 67 de Eisenkot, que tem o apoio dos Democratas de Yaïr Golan, do Partido Ensemble, de Naftali Bennett e da força política Israel Beitenou, de Avigdor Liberman.
Além disso, “disparando para todos os lados”, Netanyahu afirma “haver graves suspeitas segundo as quais Estados estrangeiros teriam gasto somas consideráveis para influenciar os resultados das eleições em Israel”.
Quem? Quanto? Como? Não o clarifica nem apresenta provas que ponham em causa a conclusão chegada pela Comissão Eleitoral de que não tinha havido “nenhuma irregularidade”.
Perante os factos, a confusão é grande e as incertezas maiores. O que não é de estranhar num país onde as divisões e os ódios são geracionais, recorrentes e constantes.
Incerto será o destino de Netanyahu se não conseguir ser eleito, perdendo a imunidade que o cargo lhe concede e o apoio de Donald Trump, para quem deixará de ter qualquer utilidade. Ademais, acusado de vários crimes de guerra, de genocídio, alvo de mandato de captura emitido pelo TPI e de um opaco e equívoco “desleixo” nos trágicos acontecimentos do 7 de Outubro de 2023, tudo se compaginará para a sua possível detenção.
(Foto DR)