Desmitificar as “Smart City” e o exemplo de Viseu

Portanto, onde é que está a dinâmica positiva de mais de 16 mil habitantes que o edil refere nas palestras que vende pelo palco mediático que vai comprando por aí fora com o dinheiro público como no recente jornal das 20h da TVI que custou a módica quantia de 24.321€? Smart guy!!

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  • 22:44 | Domingo, 30 de Agosto de 2020
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O desenvolvimento urbano das cidades ao longo dos tempos, sofreu inúmeras transformações desencadeadas por factores económicos, militares (defesa), políticos (novos regimes institucionais), demográficos e pelos desastres naturais. Transformações essas que resultaram de estímulos advindos da sociedade civil, do comércio, de individualidades culturais, bem como a ameaças à integridade física (invasões de forças estrangeiras) ou de reacções reivindicativas com vista à ruptura de condições de vida degradantes das gentes citadinas.

Assim as cidades, têm sido um resultado de inúmeras metamorfoses ocorridas durante séculos. Desde o século XIX com a revolução industrial, as cidades foram palco da introdução de inúmeras novidades tecnológicas, a começar com o vapor, até aos dispositivos electrónicos comutados em rede (o mundo virtual) dos nossos dias.

Com o desenvolvimento tecnológico num ritmo acelerado, este impõe-se no nosso quotidiano e é forçosamente equacionado na gestão urbanística, na mobilidade, ao serviço da economia e da qualidade de vida. As cidades são o meio fulcral para oferecer de um modo equitativo as benesses geradas pela tecnologia, mas depende de muitos factores que não podem ser negligenciados rumo a uma cidade inteligente (smart city). Os factores ou pilares que consolidam a ideia de “smart city” devem ser trabalhados com vista à constituição de fortes bases que impeçam a ruptura ou o fracasso do novo modelo de “cidade inteligente” e são os seguintes:

Factores imprescindíveis de transformação para constituir uma “smart city”

● Uma sociedade inteligente sendo imperioso existir:

.  Altos níveis de produtividade laboral e indivíduos com graus académicos elevados;

.  Abertura e coesão territorial;

.  Abordagens flexíveis sobre o trabalho (em casa) e o quotidiano;

.  Diversidade social e étnica com perspectiva cosmopolita da vida urbana na geração de mais valias urbanas;

.  Foco permanente para a geração de empreendedorismo e zelo profissional;

.  Cidadania activa, preocupada e participativa no desenvolvimento urbano e pluralidade cultural, sem clientelas.

● Uma economia inteligente sendo imperioso existir:

.  Alto nível de emprego a tempo inteiro e produtividade económica elevada;

.  Atracção de empreendedores exteriores e de diversas geografias com fixação de empresas sólidas financeiramente;

.  Força de trabalho capacitada profissionalmente e com formação ao longo da vida;

.  Apoio ao 1º emprego (jovem) e às pequenas empresas;

.  Evitar a extemporaneidade das medidas de apoio económico;

.  Geração de ideias inovadoras associados aos produtos de fabrico local.

● Uma mobilidade inteligente sendo imperioso existir:

. Boas acessibilidades e com conectividade internacional com manutenção devida;

.  Sistemas de transporte de emissões reduzidas (ou ecológicas) ajustados à população, dimensão territorial e aos movimentos pendulares;

.  Segurança física garantida pela integridade estrutural e sistemas de monitorização e controlo do tráfego, da capacidade logística;

.  Caracterização estatística do volume do tráfego, de suporte às apps de informação de mobilidade.

● Uma qualidade de vida inteligente sendo imperioso existir:

.  Grau de literacia elevada e global no domínio dos sistemas digitais de informação e acesso facilitado a todas as faixas etárias;

.  Melhores cuidados de saúde na comunidade e de proximidade;

.  Combate a situações de isolamento social (idosos);

.  Planeamento e gestão urbana e territorial inovador(a), integrada com outras disciplinas (economia);

● Um modelo de governação inteligente (o mais fundamental e imperioso implementar):

.  Acesso à informação sem restrições nem perdas de tempo, bem como a instalações e serviços de apoio;

.  Participação democrática activa e bom relacionamento pessoal entre executivo e oposição e respeito pelas intervenções vindas de todas as gerações etárias;

.  Promover o policiamento de proximidade, controlo da criminalidade e vigilância florestal sem restrição de meios materiais;

.  Suportes que influenciem um planeamento urbano resiliente;

.  Respostas às queixas e requisitos dos cidadãos com garantias de resposta a situações inesperadas e oferta de dados abertos para estimular a investigação;

.  Recolha de informação de segurança para gestão dos riscos naturais das plataformas de comércio online, cloud e finalmente,

● Um modelo de gestão ambiental inteligente capaz de realizar a:

.  Gestão de proximidade e em tempo real dos recursos aquíferos, resíduos sólidos urbanos (domésticos e industriais) e da biomassa florestal;

.  Gestão, monitorização e manutenção das infraestruturas de energia para o seu uso ser eficiente;

.  Controlo e monitorização das partículas de poluição, pragas e medição do ruído

 

Estas são as premissas que permitem uma aposta indefectível com garantias de sucesso para tornar territórios em espaços de inteligência urbana.

Aqui chegados impõe-se a seguinte pergunta ao atento leitor:

As acções do actual executivo camarário coadunam-se com as premissas atrás referidas? Está conforme a ladainha desenhada na Divisão de Comunicação da Viseu marca paga pelo erário público ou mnemónica proferida pelo edil? A propaganda está alinhada com a realidade quotidiana da cidade?

Deixo a resposta para o leitor mas permitam que adiante alguns considerandos para melhor reflexão. Só com uma abordagem multidisciplinar com a devida independência dos profissionais alocados ao estudo e aprofundamento das estratégias se garante que no futuro os benefícios atinjam todos os cidadãos. Se todos tivéssemos incutidos dessa nova realidade, todos já gozaríamos dos seguintes benefícios

● Uma vida sustentável com qualidade de vida segurança, social, sem necessidades económicas, de estima de cada indivíduo e ambiente urbano saudável;

● Desenvolvimento urbano que garanta a segurança física dos moradores, ao mesmo tempo em que optimiza o uso dos recursos naturais, sem esquecer as ferramentas de info-mobilidade, e o transporte inteligente;

● De participação pública e discussão online com liberdade de expressão com partilha de conhecimento entre os residentes, governo, e parceiros económicos;

● Cultura para fornecer liberdade para os agentes culturais serem criativos (com a realidade virtual) e oferecer experiências de bons momentos com amigos e família.

Abstraindo da soberba de alguém que para se afirmar nesta matéria assina a correspondência como coordenador da secção de cidades inteligentes da ANMP vamos a factos e evidências.

 

A propaganda refere 100 mil habitantes no concelho o que não sendo exacto não é senão uma pequena inverdade uma vez que nos últimos 20 anos a cidade tem estado a perder população e no mandato em causa desde 2013 o concelho no total perdeu 1175 habitantes embora se registe com agrado o aumento de 258 pessoas no último ano estatístico (INE) fruto porventura de uma maior imigração especialmente brasileira na cidade, cidade essa que só atinge as 50 mil pessoas se incluir nessa contagem as freguesias periurbanas, e de inverdades em inverdades se vai fazendo a “smart city” e havendo, “donkey citizens” só tem que se lhe colocar a palha como deve ser.  Portanto, onde é que está a dinâmica positiva de mais de 16 mil habitantes que o edil refere nas palestras que vende pelo palco mediático que vai comprando por aí fora com o dinheiro público como no recente jornal das 20h da TVI que custou a módica quantia de 24.321€? Smart guy!!

 

O mesmo se passa com o número de alunos do Ensino Superior que apesar de ligeiro aumento nos últimos anos tem mantido tal como na população uma tendência negativa, pelo que os 7000 estudantes só na imaginação do edil existem, tal como já existiram nos anos em que tomou posse pela primeira vez dos destinos da autarquia.

 

Podíamos continuar para a falácia do MUV BUS de 20 em 20 minutos, para o MUV PARK inexistente, para o MUV CENTRAL desconhecido, para o MUV CALL allô, allô ou para o MUV APP fantasma, para o MUV BIKE abate árvores, para o MUV triciclo, MUV tintol, etc. ou para a gestão SMART dos pagamentos electrónicos, da assistência 24 horas mais a noite, da gestão entulhada dos lixos da cidade com os sensores electrónicos, das holográficas viaturas de recolha do lixo movida a gás (quiçá éter), dos 850 engenheiros qualificados que poucos conhecem ou a cereja no topo do bolo, o tarifário social das águas de Viseu com um aumento na factura e no bolso dos viseenses de 30%. Smart? Of course!

A prova provada da “urban intelligence” é a instalação das 509 luminárias LED, além da maior luminária da equipa, o marido da directora do Viseu Marca, que acompanhado do seu ainda mais minorca amigo, exemplo de “cidadania” e profundo conhecedor da Rua das Bocas, emprestam toda uma outra gigantesca inteligência cultural e até estratosférica dimensão à cidade. Smart as a whip!

Nem tudo é mau e a ideia lançada em 2014 do Viseu Estaleiro Escola foi pena ter sido abandonada. Teria sido um bom laboratório para se responder a 3 fundamentais questões sobre o caminho a tomar numa futura Viseu Cidade Inteligente:

– Que cidade temos?

– Que cidade queremos?

– Como activar a nossa cidade?

Sem sabermos exactamente onde estamos, para onde queremos ir e como poderemos lá chegar continuaremos como Alice no País das Maravilhas, perdidos num qualquer caminho. Ainda estamos a tempo de reunir a massa crítica da cidade e pensar como fazemos de Viseu um concelho inteligente.

Enfim, para ocultar uma saga sem fim de inconseguimentos em obra feita e sem contributos para uma criar uma sociedade viseense próspera, assiste-se a este constante delírio comunicacional vazio de conteúdo.

Não vale a pena usar argumentos estapafúrdios para legitimar opções ou condutas políticas, com malabarismo de palavras, para justificar apostas sem resultados visíveis. Viseu não necessita de gabarolas com descreve uma fábula de Esopo, porque garganta têm eles muita, resultados positivos é que nem vê-los. Aliás os viseenses preocupados com o futuro dos seus filhos e do concelho não são burros e não vale a pena insistir na receita da sobremesa de São Mateus, doce na confecção mas amarga no consumo, já enjoa.

2021 está próximo. Viseenses, be smart!

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