As guerras de um presidente que quer o Prémio Nobel da Paz

Afirmou na sua campanha eleitoral que no dia seguinte a tomar posse como presidente acabaria com a guerra na Ucrânia. Humilhou Zelensky e subjugou-se a Putin. Forte com os fracos e fraco com os fortes, será o seu lema e ex-libris.

Tópico(s) Artigo

  • 13:54 | Sábado, 14 de Março de 2026
  • Ler em 3 minutos

Desde o início do seu mandato, Donald Trump, apresentou-se como um líder da paz no mundo, a tentar diluir a má memória das décadas de acção clandestina da CIA no mundo, nomeadamente na América Latina e de guerra directa em países como a Coreia do Norte e o Vietnam, por exemplo.

Porém, o que se vê é exactamente o contrário: uma política exterior autocrática, ofensiva, arrogante, prepotente e posta em prática no integral desrespeito por todas as normas mundiais vigentes à luz do Direito Internacional.

Afirmou na sua campanha eleitoral que no dia seguinte a tomar posse como presidente acabaria com a guerra na Ucrânia. Humilhou Zelensky e subjugou-se a Putin. Forte com os fracos e fraco com os fortes, será o seu lema e ex-libris.

Subjugou-se a Netanyahu e com a sua aliança e bênção, dando resposta aos sanguinários intuitos vindicativos deste, tem o médio oriente a ferro e fogo.


Fez um golpe de estado na Venezuela, raptando o presidente em exercício Nicolás Maduro e sua mulher, que tem detidos algures numa prisão norte-americana.

Quer a tudo custo a Gronelândia para poder explorar a seu bel prazer toda a sua riqueza e localização estratégica.

Apertou o bloqueio do petróleo a Cuba, que agora quer tornar possessão sua.

No entreacto anuncia ter posto fim a oito guerras, tais como a existente entre o Camboja e a Tailândia, o que é falso pois os mediadores principais foram a China e a Malásia e, além disso, os confrontos continuam.

Arrogou-se à fama de ter acabado com os confrontos entre a República Democrática do Congo e o Ruanda, o tal acordo que intitulou de “milagroso”, motivado pela riqueza natural deste, tendo de facto fracassado, pois o conflito persiste e mais aceso.

Afirma ser obra dele o fim da guerra entre Israel e o Hamas, tendohavido de facto uma trégua, mas, aos olhos de toda a gente a guerra continua fazendo milhares de mortos e desalojados.

O ataque lançado por Israel contra o Irão, com o apoio e o alto patrocínio militar e logístico dos Estados Unidos, não é uma guerra terminada, mas sim uma guerra iniciada a 10 de Outubro e sem fim à vista. À vista estando já as consequências sobre as economias mundiais, com o fecho do Estreito de Ormuz e o bloqueio do petróleo. Sem esquecer que congeminou com o êxito o assassinato do líder do Irão, o Aiatola Ali Khamenei e da sua família. Ademais, alargou a guerra aos países da região, como por exemplo o Líbano que está a ser devastado pelos seus ataques capitaneados pelo primeiro-ministro israelita.

Gabou-se de ter posto fim ao conflito entre o Paquistão e a Índia o que é falso, poia a Índia tornou público que o fim do conflito tinha sido conseguido com a intervenção diplomática de Islamabad.

Vangloriou-se de ter terminado o conflito entre o Egipto e a Etiópia, o que é ficção, pois segundo o ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros as negociações com a Etiópia estão bloqueadas e não há quaisquer progressos com termo à vista.

Com a Arménia e o Azerbeijão, conseguiu um projecto de acordo assinado em Washington, que na realidade nada resolveu, tudo continuando como dantes.

Chamou a si a paz entre a Sérvia e o Kosovo, após um tratado assinado em 2020, que absolutamente nada resolveu, persistindo a animosidade entre os dois países.

De basófia em basófia, fazendo tábua rasa da verdade factual e gerando, umas atrás das outras “fake news”, matéria onde ninguém o supera, Trump, com a sua política corrupta, incerta, insane e demencial, está a criar o caos não só no seu próprio país, completamente dividido e com uma dívida pública que não cessa de aumentar diariamente, como também pelo mundo fora, com as suas tarifas “yó-yó” a afectar as economias globais e, agora, com a nova crise do petróleo e a abertura do fim das sanções à Rússia, matéria que o seu ídolo, Vladimir Putin, muito agradece.

(Ilustração DR)

Gosto do artigo
Palavras-chave
Publicado por
Publicado em Opinião