Acordar para a vida

O autor, Isaac Asimov, descreve um mundo em que os privilegiados, os super-ricos, vivem em permanente confinamento enquanto os pobres subsistem em condições que favorecem a propagação de doenças…

Tópico(s) Artigo

  • 12:53 | Quinta-feira, 11 de Março de 2021
  • Ler em 3 minutos

As cinzas a todos dão igualdade.
Nascemos desiguais, mas morremos iguais.
(Séneca, In “Carta a Lucílio”, XCI, 16)

 

Não sou fã de literatura de ficção científica, mas não posso deixar de recordar o livro que me foi oferecido “Eu, Robot”, publicado pela Europa América. O autor, Isaac Asimov, descreve um mundo em que os privilegiados, os super-ricos, vivem em permanente confinamento enquanto os pobres subsistem em condições que favorecem a propagação de doenças… Um livro premonitório de um futuro no qual a própria Humanidade poderá vir a ser considerada obsoleta…


De regresso à realidade e à atualidade dos factos, o Diário de Notícias / Dinheiro Vivo publicou dados, do Instituto Nacional de Estatística, segundo os quais os trabalhadores que, no fim de 2020, se mantinham em teletrabalho ganhavam em média mais 50% do que a restante população empregada, com o rendimento médio mensal líquido de quem faz da casa escritório a ficar em 1375 euros, contra uma média de 912 euros para os restantes trabalhadores.

Na Universidade de Stanford, o professor de economia Marcel Fafchamps apontou um prognóstico sobre o impacto da pandemia no futuro do trabalho e estabeleceu uma tipologia dos trabalhadores em três “castas”:

CONFINADOS – aqueles privilegiados qualificados que se instalaram em casa e beneficiam das vantagens da economia digitalizada.

ESSENCIAIS – com ocupações que exigem presencialidade antes, durante e depois da quarentena.

DESEMPREGADOS – os que ficaram ou ficarão excluídos devido à implantação das novas tecnologias.

O também professor universitário e economista, Robert B. Reich, identifica uma quarta categoria (“casta”), os INVISÍVEIS, na qual inclui as pessoas que se aglomeram em locais onde a maioria dos seus compatriotas não os vê: prisões, acampamentos, albergues para pessoas sem abrigo, lares de idosos…

A recuperação da pandemia poderá não ser suficiente para evitar uma crise social paralela à melhoria da economia. O impacto que um ano de medidas restritivas teve sobre milhares de pessoas que perderam o seu emprego ou os converteu em população vulnerável é angustiante. A pobreza e a desigualdade agigantaram-se nos últimos meses, atingindo duramente uma classe média que ainda não tinha cicatrizado todas as feridas profundas criadas pela crise financeira de 2008.

Não dou para o peditório do debate em torno da entrevista, ao jornal I, da economista Susana Peralta, que advogou a ideia peregrina: “A crise devia ser paga por toda a burguesia do teletrabalho”.

Tendo, por força das funções que desempenho, a possibilidade de estar em teletrabalho não me considero um burguês, nem um privilegiado, tal como tantos outros portugueses em teletrabalho não o serão. Isso não significa que não reconheça a importância de ter um emprego e não ter, até à data, perdido qualquer rendimento. Mais ainda, entendo que é justo que as pessoas que foram mais afetadas tenham o apoio de quem menos sofreu porque, não há quaisquer dúvidas, o vírus golpeou de maneira muito desigual a população em função de parâmetros como a idade, o género e a classe social. O vírus colocou a descoberto a iniquidade da nossa sociedade.

Duas lições a retirar desta pandemia: 1) somos muito frágeis; 2) precisamos muito uns dos outros, de uma infraestrutura social e um sentido de solidariedade.

Se não podemos unir-nos para defendermos os interesses comuns da humanidade, como poderemos sobreviver aos desafios do Século XXI?” (Yuval Noha Harari).

Acordemos para a vida, como nos explica Pedro Santos Guerreiro:

Acordar para a vida é perceber que não estamos em risco de uma tragédia económica, a tragédia já chegou a milhares de invisíveis, insonorizados pela falta de representação no espaço público. É perceber que lay-offs e moratórias atenuam o impacto mas também nos anestesiam para ele — e ele chegará.”

Acordar para a vida é perceber que o desemprego subiu pouco mas o subemprego subiu muito, que estamos mais perto dos níveis da troika quando somamos desempregados, inativos e trabalhadores a tempo parcial involuntário. Que os empregos ceifados são os de salários mais baixos e de pessoas menos qualificadas, que os mais afetados foram a restauração, alojamento, comércio de retalho, cultura.”

“Acordar para a vida é saber que a pobreza e a desigualdade estão a aumentar, o desemprego e as falências a crescer (…)”

 

Sejamos parte ativa no apoio à execução do plano de ação de Bruxelas para emprego e direitos sociais, que visa tirar 15 milhões de pessoas da pobreza até 2030, que tem ainda como meta conseguir, até 2030, que 78% dos cidadãos, entre os 20 e os 64 anos. tenham trabalho.

 

 

Gosto do artigo
Palavras-chave
Publicado por
Publicado em Opinião
Porno Gratuit Porno Français Adulte XXX Brazzers Porn College Girls Film érotique Hard Porn Inceste Famille Porno Japonais Asiatique Jeunes Filles Porno Latin Brown Femmes Porn Mobile Porn Russe Porn Stars Porno Arabe Turc Porno caché Porno de qualité HD Porno Gratuit Porno Mature de Milf Porno Noir Regarder Porn Relations Lesbiennes Secrétaire de Bureau Porn Sexe en Groupe Sexe Gay Sexe Oral Vidéo Amateur Vidéo Anal

Office Lizenz Kaufen Windows 10 pro lizenz kaufen Office 2019 Lizenz Office 365 lizenz kaufen Windows 10 Home lizenz kaufen Office 2016 lizenz kaufen windows lisansları windows 10 pro satın al follower kaufen instagram follower kaufen porno