A vulgarização do decisor fútil e o desprezo aos temas urgentes da sociedade viseense!

O rio Dão, o Vouga, o Pavia e as diversas ribeiras são o sinónimo de um exercício de costas voltadas para o ambiente pelos nossos governantes quer ao nível das freguesias até ao nível intermunicipal, num conjunto de vital importância para a vasta região centro, o que provoca até uma inveja confessa do designado e comprovado rio menos poluído da Europa, o rio Paiva.

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  • 23:01 | Domingo, 26 de Julho de 2020
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 Nos tempos incertos como os que vivemos actualmente, deveríamos evitar conviver com gente incompetente que vive das aparências, que usa e abusa de chavões, que disfarça a dura realidade com doce propaganda, que aparenta uma superioridade intelectual e que é profícua em esconder as acções que contribuem para o marasmo no desenvolvimento equitativo da sociedade. O barrete ou chapéu de palha serve a quem o quiser enfiar. O crescente acumular de inconseguimentos e o desprezo visível por determinadas áreas deteriora a imagem percepcionada pela maioria dos cidadãos senão mesmo todos, quando ocorre algo disruptivo dos discursos oficiais (como o caso dos canis e gatis) e gera indignação e revolta.

As repercussões destas atitudes atingem os sectores da segurança, da saúde, da educação, da preservação ambiental (água, florestas e biodiversidade), bem como a gestão, manutenção e planeamento a curto e médio prazo de infraestruturas, assim como a gestão dos recursos humanos, entre tantos outros. A descentralização, com ou sem ela, ou a falta de fundos monetários não serve de desculpa para os actores políticos locais, demonstrarem um total desprezo pelas políticas estruturais de valorização do conjunto de atributos que acolhe um território.

No nosso concelho, pelos menos nas últimas décadas não houve um grande plano de análise, conservação, gestão e menorização ou até eliminação dos factores geradores de poluição ou das espécies invasoras que proliferam pelas florestas e margens de rios só para citar elementos fulcrais do ambiente. Por exemplo, conhecem alguma medida ou mesmo mero comentário do executivo sobre a situação do lagostim de água doce no Pavia ou alguém sabe da parte do município qual o estado da arte no combate à vespa asiática? Sempre e até ao momento foram executados várias séries de curtas intervenções com remendos de pequenas escalas com fórmulas gastas sem grande impacto para disfruto nos momentos de lazer dos munícipes. E, que só acontecem quando o ruído de indignação nas redes sociais é exagerado, diga-se em abono da verdade!

O rio Dão, o Vouga, o Pavia e as diversas ribeiras são o sinónimo de um exercício de costas voltadas para o ambiente pelos nossos governantes quer ao nível das freguesias até ao nível intermunicipal, num conjunto de vital importância para a vasta região centro, o que provoca até uma inveja confessa do designado e comprovado rio menos poluído da Europa, o rio Paiva.

As eventuais acções de preservação ambiental da água e das florestas (bem esclarecidas e melhor planeadas) que rodeiam os vales dos cursos, despontariam o interesse de uma cidadania que se encontra inactiva e amorfa causada pela desconfiança nos políticos acumulada durante décadas.

O Castro, Sta Luzia, Sta Eufêmia, Aguieira, Pavia, etc., etc.… são nomes que muitos viseenses conhecem, mas não os vivem ou deixaram de os desfrutar. Não se incute o respeito pela natureza com as meras acções de apanha de lixo como aquela que foram protagonizadas no mês passado junto à Quinta da Cruz, nem com as hortas urbanas que se localizam longe das áreas residenciais e com má acessibilidade. Outro factor que não ajuda no desenvolvimento, é a gritante falta de conhecimento e de actualização das soluções técnicas e ferramentas (de monotorização) inovadoras que proliferam pelo mundo fora assim como dos técnicos e profissionais que residem no território e que podem contribuir e ver o seu conhecimento valorizado.

A aposta nas infraestruturas de lazer nomeadamente as rotas, percursos e trilhos municipais espalhados pelo nosso concelho sem esquecer a ecopista são marcos que marcaram uma época, mas tem que se alargar o foco e a aposta para os outros elementos sem descurar a manutenção e melhoria daqueles. O que é feito das praias fluviais? O Almargem é o exemplo acabado do que aqui se anota como o que poderia ser um factor de atracção turística e é só um crime ambiental que a justiça devia punir exemplarmente.

A inovação é a base que origina os mecanismos e sistemas que transforma as infraestruturas tornando-as mais eficientes, como é o caso das infraestruturas de armazenamento de condução e de tratamento da água que, com intervenções no devido tempo, sem hipocrisia e joguinhos de passa culpa ou exercício de submissão ao querido timoneiro local ou nacional, reforçariam a economia local e o bem-estar de famílias e empresas.

As “visões estratégicas” (quer dos organismos de gestão e planeamento) para o futuro deveriam ajudar e servir de suporte para a redução e menorização dos impactos que dão origem ao problema da seca, à deflagração de incêndios florestais e desequilíbrios da flora e fauna. Bem como o rumo a soluções para que deem origem ao disfruto seguro das massas de água e das manchas florestais nos momentos de lazer mesmo que os resultados estejam longínquos no tempo.

Que falta faz no território concelhio de mais zonas aquáticas para menorização do calor que por estes dias nos assola, mais manchas florestais autóctones com a devida manutenção (o viveiro de Vale de Cavalos como está?), parques infantis distribuídos pelos núcleos rurais do concelho, parques de orientação e circuitos de manutenção em zonas florestais (já agora, em que situação se encontra o circuito de manutenção do Fontelo?).

Um outro assunto muito recorrente é o tema das vias de comunicação prometidas para a região, que no caso concreto na variante à estrada nacional 229 já conta com um argumento de novela muito extenso com avanços e recuos. A solução recentemente trazida a palco e o hipotético traçado não irá afectar uma das reservas aquíferas e a grande rota pedestre mais importante do concelho e da freguesia de Rio de Loba e Mundão, no caso, o Vale de Fachas? Espera-se e deseja-se que seja sim uma solução com pouco impacto e que se sirva da plataforma já existente no local sobranceira ao cantinho dos animais, centro hípico e do complexo da associação de criadores de Gado da Beira Alta. Mas a matéria neste âmbito não se esgota aqui e basta uma passagem no antigo IP5 ou pelas muitas estradas e vias municipais para se perceber que também aqui manutenção e carinho pelo concelho ficaram circunscritos ao Rossio.

A finalizar para não ser mais maçador, só anotar que neste artigo, de propósito, não se propõe nenhuma intervenção especifica nem medidas concretas. Assim, fica campo para que os responsáveis políticos o possam fazer ou reflectir brevemente nos seus programas eleitorais. Sempre têm os senadores Jorge Coelho ou Fernando Ruas para se aconselharem, mas no final não se admirem de ter chegado aos mesmos resultados, em alternativa peçam aos caciques e jotinhas que sempre fazem algo diferente em vez de estarem sempre de mão estendida na direcção do Rossio. Há mais Viseu para lá disso!

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