A política da rolha

Não é de agora a ameaça que o autarca fez publicamente aos vereadores da oposição de que ainda irão “malhar com as costas na Justiça” coagindo a sua acção política para a qual foram, tal como ele, eleitos.

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  • 21:06 | Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
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Está instalado um regime persecutório no Rossio, uma atitude intimidatória e lesiva da democracia que visa impedir o exercício da liberdade de expressão por parte dos viseenses e que ocupa hoje os gabinetes do executivo viseense a julgar pelos acontecimentos que correm pela cidade.

Não é de agora a ameaça que o autarca fez publicamente aos vereadores da oposição de que ainda irão “malhar com as costas na Justiça” coagindo a sua acção política para a qual foram, tal como ele, eleitos.

Nesta matéria a curiosidade na cidade de quem será o primeiro a ir malhar com os ossos no banco dos réus mantém-se!

Não é de agora e tiveram um bom mestre, tendo ficado famosa a incitação à violência sobre os fiscais do ambiente para serem corridos à pedrada ou até, no caso pessoal, a litigância de má fé que o então autarca me moveu ao longo dos seu último mandato, incomodado com a critica politica, dado que nos primeiros nunca se sentiu ofendido nos passeios por mim organizados ou com o pão alentejano que tanto prazer me deu poder trazer das planícies do amarelo trigo. Outros tempos que ainda assim me obrigaram a tirar do bolso o que seria para os meus filhos em defesa do meu bom nome e que só a Relação de Coimbra absolveu, dado que em Viseu o compromisso e o medo ditaram o desfecho esperado.

Neste combate à semelhança do que soube agora estar a acontecer com um amigo, as armas não são as mesmas. De um lado está uma poderosa máquina de advogados pagos a peso de ouro pelo erário público e do outro um cidadão anónimo que retirará do rendimento do seu trabalho os custos judiciais e o patrocínio casuístico para não ser imolado na praça pública por aqueles, os mesmos, que detêm uma brutal máquina de comunicação que vigia, filtra, fiscaliza, no novo léxico do “dono disto tudo”, o que esse cidadão expressou nas redes sociais.

No caso, a acção intentada na Justiça cai sobre um ilustre cidadão, bem formado, de escrita cuidada, dotado de um humor inteligente, com um registo criminal impoluto e conduta cívica de referência positiva, o qual por uma rima mal entendida numa quadra inexistente e supostamente publicada nas redes sociais, se vê perseguido na sua vida diária e obrigado a desgastar-se num processo sem nenhum outro significado nem consequência que não tenha sido uma salutar gargalhada.

Curiosamente, e creio que já conhecem o padrão, até por recente peripécia, não se sente esse eleito bem como os demais do executivo ofendido quando nos comentários da página social do município são ultrajados, difamados e adjectivados de forma grosseira e vulgar, facto esse sim, que não pode deixar de nos incomodar porquanto também são pais e cidadãos e nenhum filho, familiar ou amigo se pode sentir confortável com aquela verborreia.

Esses sim, mereciam uma admoestação. Agora aquele que de forma mais crítica ou mais humorística, mais sarcástica ou mais gráfica tece natural crítica política ou alguma observação expressiva da sua opinião, não ultrapassando nenhum limite da má educação ou difamatório, deveria merecer então no mínimo a mesma tolerância que dão àqueles que os maltratam.

As atitudes ficam sempre com quem as pratica e é nesta medida que se percebe do carácter daqueles que tendo acesso ao poder, ao “potestas” e que sem a necessária “auctoritas”, o usam de forma autoritária, intimidatória e persecutória dos mais altos direitos expressos na Constituição da República Portuguesa.

O mundo dá muita volta, e um dia se é caça e no outro caçador… deviam lembrar-se desse ditado antigo. Nunca falha!

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